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Hamas e Israel confirmam troca de corpos de reféns por prisioneiros palestinos
O acordo prevê a devolução de quatro corpos israelenses em troca de 602 prisioneiros palestinos, com supervisão egípcia.
O Hamas e Israel anunciaram um acordo para a troca de quatro corpos de reféns israelenses por 602 prisioneiros palestinos. A entrega ocorrerá nesta quinta-feira (27), conforme informou o porta-voz do Hamas, Abdul Latif al-Qanou, nesta quarta-feira (26).
A troca faz parte da primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, que teve início em 19 de janeiro. O processo será supervisionado por mediadores egípcios, embora a data exata da liberação dos prisioneiros palestinos ainda não tenha sido divulgada.
As Brigadas Al-Nasser Salah al-Deen, um grupo militante aliado ao Hamas, confirmou que o corpo do refém israelense Ohad Yahalomi será um dos entregues nesta operação. A troca foi inicialmente programada para ocorrer no último sábado, mas foi adiada por Israel em protesto contra o que considerou um “tratamento cruel” dos reféns durante a entrega.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou sua indignação com as cerimônias de entrega realizadas pelo Hamas, que classificou como “humilhantes”. O governo israelense argumentou que a demora na liberação dos prisioneiros palestinos se deu devido a essas preocupações.
O Hamas, por sua vez, acusou Israel de violar o acordo de paz ao atrasar a troca e afirmou que não tinha interesse em reter os corpos dos reféns. O grupo alegou que os corpos entregues foram mortos em um ataque aéreo israelense em novembro de 2023, embora a versão israelense contradiga essa afirmação, indicando que os reféns foram mortos por seus capturadores.
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Na quarta-feira, milhares de israelenses se reuniram ao longo das estradas para prestar homenagem ao cortejo fúnebre de Shiri Bibas e seus dois filhos, que foram mortos durante o cativeiro. A família se tornou um símbolo da tragédia que afetou muitas outras famílias em Israel.
O acordo de cessar-fogo, que já resultou na liberação de 25 reféns vivos em troca de mais de 1.100 prisioneiros palestinos, é considerado frágil, com ambos os lados se acusando mutuamente de violações. No entanto, até o momento, o cessar-fogo tem se mantido.
Os mediadores egípcios e do Catar estão envolvidos nas negociações para a próxima fase do acordo, que deve incluir novas trocas de reféns e prisioneiros, além da retirada das tropas israelenses do território palestino.
O Hamas indicou que está disposto a liberar os reféns restantes em uma única operação na próxima fase do acordo. Entretanto, a continuidade do cessar-fogo e a realização das trocas dependem de negociações que ainda estão em andamento.
A situação em Gaza continua tensa, com a comunidade internacional acompanhando de perto os desdobramentos do conflito e as consequências humanitárias que afetam a população local.
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