Fatih Altayli, um dos principais comentaristas políticos da Turquia, foi preso após comentários sobre pesquisa que opõe a presidência vitalícia de Erdogan.
26 de Novembro de 2025 às 14h44

Jornalista turco Fatih Altayli é condenado a mais de quatro anos de prisão por ameaçar Erdogan

Fatih Altayli, um dos principais comentaristas políticos da Turquia, foi preso após comentários sobre pesquisa que opõe a presidência vitalícia de Erdogan.

O jornalista turco Fatih Altayli, conhecido por suas análises políticas e com mais de 2,8 milhões de seguidores nas redes sociais, foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por supostamente ameaçar o presidente Recep Tayyip Erdogan. A decisão foi proferida em um tribunal de Istambul no dia 26 de novembro.

A prisão de Altayli ocorreu após declarações feitas em junho, nas quais ele comentou sobre uma pesquisa que indicava que uma ampla maioria dos turcos se opunha à ideia de uma presidência vitalícia de Erdogan. Durante suas considerações, ele fez referência à história do Império Otomano, mencionando que vários sultões que não eram mais desejados no poder acabaram assassinados ou estrangulados.

“Olhemos para o passado distante: esta é uma nação que estrangulou seus sultões quando não os queria mais. Muitos sultões otomanos foram estrangulados, assassinados ou supostamente cometeram suicídio”, disse Altayli em um vídeo no YouTube, que foi amplamente compartilhado antes de sua detenção.

O comentário gerou uma reação imediata de autoridades, incluindo um assessor de Erdogan, que considerou as declarações como uma ameaça. Dois dias após suas declarações, um procurador requisitou a detenção do jornalista, alegando que seus comentários constituíam uma ameaça ao presidente turco.

Durante a audiência, Altayli negou as acusações, afirmando que suas palavras eram meramente uma contextualização histórica e não tinham a intenção de ameaçar. Ele solicitou a sua absolvição, mas o tribunal decidiu pela condenação, afirmando que suas falas eram uma ameaça direta ao presidente.

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A condenação de Altayli se insere em um contexto mais amplo de repressão a vozes dissidentes na Turquia, onde a liberdade de imprensa tem sido severamente restringida. A organização Repórteres Sem Fronteiras classifica o país na 159ª posição entre 180 na sua lista de liberdade de imprensa, atrás de países como Paquistão e Venezuela.

Além de Altayli, outros jornalistas e figuras da oposição têm enfrentado processos e prisões nos últimos anos, especialmente após as eleições de 2023, quando a repressão a profissionais de mídia se intensificou. De acordo com a RSF, 20 jornalistas foram detidos este ano por conta de suas atividades profissionais, com três ainda em custódia.

A condenação de Altayli foi amplamente criticada por defensores dos direitos humanos e organizações de liberdade de imprensa, que consideram a decisão uma forma de intimidação contra toda a classe jornalística e um instrumento para silenciar vozes críticas ao governo.

O advogado de Altayli, Erinc Sagkan, que também é presidente da União das Associações de Advogados da Turquia, anunciou que irá apelar da decisão, classificando-a como ilegal e uma violação das liberdades fundamentais.

Enquanto isso, a situação da liberdade de expressão na Turquia continua a ser uma preocupação crescente, com muitos observadores internacionais alertando para o uso do sistema judicial como ferramenta de repressão política.

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