A Corte de Apelação de Roma adiou a audiência da deputada federal, condenada a dez anos de prisão por invasão hacker.
27 de Novembro de 2025 às 16h41

Audiência de extradição da deputada Carla Zambelli é remarcada para dezembro na Itália

A Corte de Apelação de Roma adiou a audiência da deputada federal, condenada a dez anos de prisão por invasão hacker.

A Corte de Apelação de Roma decidiu, nesta quinta-feira, remarcar a audiência do processo de extradição da deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo. A parlamentar, que foi condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por invasão hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aguardava a análise do pedido de extradição pelo governo italiano.

A nova data da audiência foi fixada para o dia 4 de dezembro, às 13h, horário de Brasília. O adiamento foi solicitado pelos advogados de Zambelli, que se uniram à greve de servidores públicos na Itália. A estratégia da defesa visa prolongar a permanência da deputada na prisão italiana, o que pode resultar em um desconto maior da pena caso ela seja extraditada para o Brasil.

Carla Zambelli chegou à corte por volta das 7h, vestindo calça jeans, moletom azul marinho e tênis. A audiência estava inicialmente agendada para as 9h, sendo a primeira a avaliar o pedido de extradição feito pelo Brasil.

Atualmente, Zambelli está presa na Itália desde julho, após fugir do Brasil. A deputada foi condenada em dois processos no Brasil e, após a condenação relacionada ao CNJ, buscou refúgio no país europeu, onde aguarda a decisão das autoridades sobre o pedido de extradição.

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No pedido de extradição, o governo brasileiro incluiu uma segunda condenação, na qual Zambelli foi sentenciada em agosto a cinco anos e três meses de prisão pelo porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O STF a considerou culpada por apontar uma arma para um opositor durante as eleições de 2022.

O Ministério Público italiano, em sua análise, afirmou que as condenações e processos contra Zambelli não possuem caráter político e estão de acordo com as garantias processuais previstas em lei. A deputada está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, desde o dia 29 de julho, por decisão da Corte de Apelação, que alegou existir risco de fuga.

O procurador italiano, Erminio Carmelo Amelio, destacou que a alegação de que Zambelli estaria sendo perseguida pela Justiça brasileira não encontra respaldo. Ele enfatizou que não há condições para a recusa do pedido de extradição, mesmo em relação a possíveis atos persecutórios de natureza política.

O advogado italiano Pieremilio Sammarco, que defende Zambelli na Itália, qualificou o parecer do MP como “gravemente lacunoso”, apontando que não foram abordadas algumas anomalias ocorridas nos processos contra a deputada.

Além disso, o STF já determinou a cassação do mandato da parlamentar, que ainda aguarda a análise da Câmara dos Deputados sobre a aceitação da sentença.

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