Acúmulo de gordura no fígado, conhecido como lipidose hepática, pode comprometer a saúde dos pets e requer diagnóstico veterinário rápido.
11 de Março de 2026 às 09h54

Gordura no fígado pode afetar cães e gatos e exige atenção

Acúmulo de gordura no fígado, conhecido como lipidose hepática, pode comprometer a saúde dos pets e requer diagnóstico veterinário rápido.

O acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose ou lipidose hepática, é um problema que pode comprometer seriamente a saúde de cães e gatos. A doença ocorre quando as células do fígado passam a armazenar quantidades excessivas de gordura, o que prejudica funções vitais do órgão, como o metabolismo de nutrientes, a produção de proteínas e o processo de desintoxicação do organismo.

Nos gatos, a condição recebe o nome de lipidose hepática felina e é considerada a doença hepática adquirida mais comum na espécie. Quando não diagnosticada e tratada rapidamente, pode evoluir para quadros graves e até fatais. Por isso, especialistas alertam que mudanças no apetite ou no comportamento dos animais devem sempre ser avaliadas por um médico-veterinário.

O fígado desempenha diversas funções essenciais para o organismo dos animais. Ele participa da digestão, armazena nutrientes, metaboliza substâncias e auxilia na eliminação de toxinas. Quando o órgão passa a acumular gordura em excesso, essas funções ficam comprometidas, afetando o equilíbrio metabólico e o estado geral de saúde do pet.

Como ocorre o acúmulo de gordura no fígado

Na prática, a chamada “gordura no fígado” significa que os hepatócitos, células responsáveis pelas funções hepáticas, estão repletos de triglicerídeos. Esse excesso impede o funcionamento normal do órgão e pode desencadear inflamações e alterações metabólicas.

Em gatos, o problema costuma estar relacionado ao jejum prolongado. Quando o animal passa muito tempo sem se alimentar, o organismo começa a utilizar as reservas de gordura do corpo como fonte de energia. Essa gordura é enviada em grande quantidade para o fígado, que nem sempre consegue processá-la adequadamente.

Como resultado, os lipídios se acumulam nas células hepáticas, desencadeando a lipidose. Esse mecanismo explica por que a doença é relativamente comum em felinos que deixam de comer por alguns dias, especialmente se já apresentam sobrepeso ou obesidade.

Fatores que aumentam o risco em gatos

O metabolismo dos gatos possui particularidades que os tornam mais vulneráveis à lipidose hepática. Entre os principais fatores associados à doença estão o jejum ou anorexia prolongada, que pode ocorrer por estresse, mudanças de ambiente, doenças ou rejeição alimentar.

O excesso de peso também é considerado um fator importante. Gatos obesos possuem maiores reservas de gordura corporal, que acabam sendo mobilizadas de forma intensa quando o animal deixa de se alimentar, aumentando a sobrecarga do fígado.

Mudanças bruscas na rotina, como alteração repentina da ração, chegada de novos animais na casa ou mudanças de ambiente, também podem contribuir para a perda de apetite e, consequentemente, para o desenvolvimento da doença.

Além disso, enfermidades pré-existentes, como problemas gastrointestinais, pancreatite ou doenças infecciosas, podem provocar náuseas, dor ou indisposição, levando o gato a reduzir a ingestão de alimentos e favorecendo o quadro hepático.

Quando o problema aparece em cães

Embora também possa ocorrer em cães, a presença de gordura no fígado geralmente está associada a outras doenças ou condições metabólicas. Diferentemente dos gatos, o jejum isolado raramente é o único fator desencadeante nos cães.

Entre as causas mais frequentes estão obesidade, doenças hormonais, como a síndrome de Cushing, inflamações crônicas, pancreatite e até intoxicações por medicamentos ou substâncias tóxicas. Nesses casos, a lipidose hepática costuma aparecer como consequência de um problema de saúde já existente.

Por esse motivo, quando exames indicam acúmulo de gordura no fígado em cães, os médicos-veterinários geralmente investigam a presença de doenças de base que possam ter desencadeado a alteração hepática.

Sinais que podem indicar problemas no fígado

Os sintomas da gordura no fígado podem variar e nem sempre são específicos, o que torna a avaliação veterinária fundamental. Mesmo assim, alguns sinais podem servir de alerta para os tutores.

Entre os sintomas mais observados estão diminuição ou perda total do apetite, perda de peso rápida, apatia e redução do interesse por atividades habituais. Em alguns casos, o animal pode apresentar vômitos, náuseas ou salivação excessiva.

Em estágios mais avançados, pode surgir icterícia, caracterizada pela coloração amarelada nas gengivas, na parte branca dos olhos ou na pele. Esse sinal indica comprometimento hepático significativo e exige atendimento veterinário imediato.

Nos cães, além da perda de apetite e da apatia, também podem ocorrer diarreia, vômitos frequentes e aumento do volume abdominal, dependendo da gravidade do problema.

Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação veterinária

O diagnóstico da lipidose hepática não pode ser feito apenas pela observação dos sintomas. Normalmente, o médico-veterinário realiza exame clínico completo e solicita exames complementares para confirmar o problema.

Entre os procedimentos mais comuns estão exames de sangue para avaliar enzimas hepáticas e outros parâmetros metabólicos, além de exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, que ajudam a identificar alterações no fígado.

Em alguns casos, pode ser necessária a coleta de material hepático para análise laboratorial, por meio de citologia ou biópsia guiada por ultrassom, permitindo identificar com precisão o tipo de alteração presente no órgão.

O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro. Em gatos, o suporte nutricional adequado é considerado um dos pilares do manejo da doença, garantindo que o animal receba energia e nutrientes suficientes para interromper o processo de mobilização excessiva de gordura.

Especialistas reforçam que qualquer mudança brusca no apetite, no comportamento ou no estado geral do pet deve ser investigada rapidamente. O diagnóstico precoce e o acompanhamento veterinário são fundamentais para aumentar as chances de recuperação e preservar a saúde do fígado dos animais.

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