Pesquisa Datafolha revela que 43% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal, marcando recorde histórico.
12 de Março de 2026 às 10h04

Desconfiança da população no STF atinge 43%, o maior índice desde 2012

Pesquisa Datafolha revela que 43% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal, marcando recorde histórico.

A desconfiança da população em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao sistema judiciário como um todo alcançou níveis alarmantes, conforme aponta a mais recente pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, 11. O percentual de brasileiros que afirmam não confiar na Corte subiu para 43%, o maior desde o início da série histórica em 2012.

No levantamento anterior, realizado em dezembro de 2024, esse número era de 38%. A pesquisa também revelou que apenas 16% dos entrevistados afirmam confiar muito no STF, uma queda significativa em relação aos 24% registrados anteriormente. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, esse cenário é comparável ao de junho de 2018, quando 14% dos brasileiros declararam confiar muito na instituição.

A insatisfação não se limita ao STF, mas se estende ao Poder Judiciário em geral. O percentual de brasileiros que dizem não confiar na Justiça aumentou de 28% para 36%, o maior índice desde o início da série em 2017.

Esses dados surgem em um contexto de crise de imagem do Judiciário, exacerbada por decisões controversas e questionamentos éticos envolvendo ministros da Corte. Entre os casos que têm gerado polêmica está o escândalo do Banco Master, que envolve indícios de relações comprometedores entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Além disso, o debate sobre os chamados “penduricalhos” – pagamentos adicionais que elevam os salários dos magistrados a valores muito superiores à média da população – também tem repercutido nas redes sociais, contribuindo para a deterioração da imagem do Judiciário.

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O levantamento do Datafolha também revelou uma piora na avaliação do desempenho dos ministros do STF. Apenas 23% da população considera o trabalho da Corte como “ótimo” ou “bom”, uma queda em relação aos 32% registrados na pesquisa anterior. Em contrapartida, a avaliação negativa aumentou, com 39% dos entrevistados classificando o desempenho como “ruim” ou “péssimo”.

A insatisfação é mais acentuada entre homens, alcançando 46%, e entre pessoas com ensino superior, onde a taxa é de 45%. Entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, a reprovação chega a 65%.

As avaliações do STF também variam conforme a preferência política. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 44% se dizem satisfeitos com a Corte, enquanto apenas 12% expressam insatisfação. Por outro lado, entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), 67% demonstram descontentamento com o STF, enquanto apenas 7% afirmam estar satisfeitos.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do Brasil entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03715/2026.

A pesquisa também indica que a maioria da população apoia restrições à atuação dos ministros do STF. Segundo os dados, 79% dos entrevistados discordam que um magistrado julgue processos envolvendo clientes de seus parentes, 78% são contrários à possibilidade de ministros serem sócios de empresas e 76% rejeitam o recebimento de pagamentos por palestras organizadas por instituições privadas.

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