Lula revoga visto de assessor americano que tentaria visitar Bolsonaro na prisão
A decisão ocorre após o bloqueio do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para os EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que tinha planos de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A medida foi considerada uma resposta direta ao bloqueio do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que não pôde entrar nos Estados Unidos.
Durante um discurso no Hospital Andaraí, no Rio de Janeiro, Lula afirmou: “Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair foi proibido de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado”. A declaração reflete a crescente tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Darren Beattie, que atuou como assessor durante a presidência de Donald Trump, tinha agendado sua visita ao Brasil para a próxima semana, onde planejava se reunir com representantes da oposição ao governo Lula e, em particular, com Bolsonaro. Contudo, o pedido para o encontro foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de sua função no Departamento de Estado, Beattie é conhecido por sua proximidade com o bolsonarismo e por ter expressado apoio a Bolsonaro em diversas ocasiões. Sua visita foi vista como uma tentativa de influenciar a política brasileira em um momento delicado, especialmente com as eleições se aproximando.
A diplomacia brasileira argumenta que Beattie teria omisso informações relevantes em seu pedido de visto, inicialmente alegando que viria ao Brasil para participar de um fórum sobre minerais críticos. No entanto, após a concessão do visto, sua defesa comunicou oficialmente o desejo de visitar Bolsonaro na prisão, o que levantou suspeitas sobre suas intenções reais.
As autoridades brasileiras consideram que a visita de um assessor do governo americano a um ex-presidente preso, em um ano eleitoral, poderia ser interpretada como uma ingerência nos assuntos internos do Brasil. O STF, ao negar a autorização para a visita, corroborou essa avaliação, considerando que tal encontro poderia afetar a soberania nacional.
A situação se torna ainda mais complexa à medida que as relações entre Lula e Trump passam por uma fase de reaproximação, após meses de tensões e críticas mútuas. Recentemente, ambos os líderes discutiram uma “química” positiva, mas a revogação do visto de Beattie pode complicar essa dinâmica.
Com as eleições presidenciais de outubro se aproximando, a figura de Bolsonaro continua a ser central no cenário político brasileiro, mesmo enquanto cumpre pena. Lula, por sua vez, busca consolidar sua posição e evitar qualquer tipo de interferência externa que possa influenciar o processo eleitoral.
O governo brasileiro também está em negociações delicadas com os Estados Unidos, especialmente em relação a questões de segurança e ao tratamento de facções criminosas no Brasil. A revogação do visto de Beattie é vista como um sinal claro de que o governo Lula não hesitará em tomar medidas firmes para proteger seus interesses e sua soberania.
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