Os deputados Marcel Van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon foram punidos por obstruírem o funcionamento da Casa em agosto de 2025.
06 de Maio de 2026 às 07h45

Conselho de Ética suspende mandatos de deputados por motim na Câmara dos Deputados

Os deputados Marcel Van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon foram punidos por obstruírem o funcionamento da Casa em agosto de 2025.

BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu, nesta terça-feira (5), suspender os mandatos dos deputados federais Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS) por um período de dois meses. A punição é resultado da participação dos parlamentares em um motim que, em agosto do ano passado, obstruiu o funcionamento da Casa por cerca de 30 horas.

A reunião do Conselho, que se estendeu por mais de oito horas, foi marcada por intensos debates e tentativas de obstrução por parte da oposição. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), optou por cancelar a sessão do plenário para garantir que a votação das punições ocorresse. A decisão de suspender os deputados foi aprovada com 13 votos favoráveis para Pollon e Van Hattem, e 15 votos contra Zé Trovão.

Os deputados ainda têm um prazo de cinco dias úteis para recorrer da decisão à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que poderá conceder efeito suspensivo ao recurso. O relator do caso, Moses Rodrigues (União Brasil-CE), enfatizou que a medida é necessária para reafirmar a autoridade do Parlamento e evitar que situações semelhantes se repitam.

Motim e suas consequências

O motim ocorreu em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando a oposição ocupou a Mesa Diretora da Câmara, impedindo a realização de sessões. Durante a confusão, os deputados Zé Trovão, Van Hattem e Pollon tentaram obstruir a passagem do presidente da Casa, o que levou à solicitação de suas suspensões pela Mesa Diretora.

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Em seu parecer, Rodrigues destacou que a obstrução física do plenário não pode ser tolerada, pois compromete o funcionamento regular da Câmara. Ele afirmou que os deputados possuem meios legítimos para expressar seu inconformismo, mas que a ocupação física dos espaços de deliberação não é aceitável.

Os deputados suspensos alegaram que a punição é uma forma de perseguição política. Zé Trovão, em suas declarações, expressou sua indignação, afirmando que o dia da votação é o pior de sua vida, e comparou a situação a um julgamento injusto. Van Hattem também se manifestou, dizendo que não se calaria diante das injustiças.

O episódio gerou repercussão significativa no meio político, com críticas à condução do presidente da Câmara e ao papel do Conselho de Ética. A decisão de suspender os deputados foi vista como um recado claro de que comportamentos que comprometam a ordem legislativa não serão tolerados.

A suspensão dos mandatos dos deputados é um desdobramento de um processo que se arrasta desde outubro do ano passado, quando foram abertos os primeiros pedidos de investigação sobre suas condutas durante o motim. A diferença nas penas atribuídas a cada um dos parlamentares se deve à gravidade de suas ações durante o episódio.

O Conselho de Ética, ao aprovar a suspensão, busca reafirmar a importância da disciplina e da ordem no exercício das funções legislativas, ressaltando que o Parlamento deve funcionar sem interrupções e que a obstrução não é uma prática aceitável no ambiente democrático.

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