Polícia Federal rejeita proposta de colaboração do banqueiro Daniel Vorcaro
A proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro foi considerada insuficiente pela PF, que apontou omissões graves.
A Polícia Federal (PF) decidiu rejeitar, na última quarta-feira (20/5), a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que é o controlador do Banco Master e se encontra preso preventivamente no contexto da operação Compliance Zero.
A informação sobre a rejeição foi confirmada pela PF aos advogados de Vorcaro. Os investigadores destacaram que a proposta continha omissões significativas e tentativas de proteger indivíduos influentes em Brasília, supostamente envolvidos nas fraudes que estão sendo apuradas.
De acordo com membros da investigação, os documentos anexados pela defesa foram considerados insuficientes e sem valor prático para o avanço das apurações conduzidas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O impasse em torno da delação também provocou mudanças na situação prisional de Vorcaro. Na segunda-feira (18/5), conforme noticiado por fontes, o banqueiro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está detido desde março deste ano.
Antes da transferência, Vorcaro estava em uma sala de estilo “sala de Estado-maior”, um espaço utilizado anteriormente para a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
A proposta de delação, que foi apresentada há cerca de um mês, foi considerada fraca tanto pela PF quanto pelos procuradores envolvidos na investigação. As informações contidas na proposta não trouxeram novidades em relação ao que já havia sido apurado durante o inquérito da operação Compliance Zero, que resultou na prisão inicial de Vorcaro.
Fontes próximas à investigação relataram que Vorcaro não mencionou nomes de figuras de alto escalão que já foram identificadas pelos investigadores como parte da organização criminosa. A PF e a PGR fizeram diversas observações sobre a proposta, apontando suas falhas.
Embora a proposta de delação tenha sido rejeitada pela PF, a PGR ainda pode optar por analisar a proposta de forma independente, o que poderia abrir novas possibilidades para a defesa do banqueiro.
A tentativa de colaboração estava sendo negociada tanto com a PF quanto com a PGR, e a defesa de Vorcaro havia finalizado os anexos da delação, que foram entregues às autoridades em um pen drive.
Os investigadores afirmaram que a lógica do acordo de delação era técnica, sem alvos previamente definidos ou exclusões, mas a falta de informações relevantes comprometeu a proposta.
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