TSE reafirma que Smartmatic não forneceu urnas eletrônicas para o Brasil
Tribunal Superior Eleitoral responde a afirmações de Flávio Bolsonaro sobre urnas em evento com embaixadores
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou, nesta terça-feira (22), que a empresa venezuelana Smartmatic não forneceu urnas eletrônicas ou softwares utilizados nas eleições brasileiras. A declaração surge em resposta às afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, em um evento recente, alegou que as urnas do Brasil seriam da referida empresa.
Durante uma reunião com embaixadores, Flávio Bolsonaro levantou suspeitas sobre a integridade das urnas eletrônicas, afirmando que muitos dos equipamentos utilizados nas eleições brasileiras teriam origem na Smartmatic. O TSE, por sua vez, destacou que a empresa nunca vendeu urnas para o Brasil e que seu envolvimento se limitou ao treinamento de técnicos que prestaram suporte operacional.
O TSE enviou uma matéria de 2020 que esclarece a situação, afirmando que “em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”. O documento ainda destaca que as urnas foram desenvolvidas por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral, com produção sob a coordenação do TSE por meio de licitações públicas.
Na reunião em Brasília, Flávio Bolsonaro também pediu que países enviem observadores para as eleições brasileiras, afirmando que “não está questionando o sistema de eleição brasileiro”. Contudo, suas declarações foram vistas como uma repetição de desinformações já desmentidas pelo TSE em ocasiões anteriores.
O evento contou com a presença de representantes de embaixadas de países como Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido, além de outros 35 países. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, já foi condenado à inelegibilidade pelo TSE por disseminar informações falsas sobre as urnas em um encontro similar em 2022.
O TSE também fez referência ao histórico de desinformação em torno da Smartmatic, que circula desde 2017, e reiterou que a empresa apenas celebrou contratos para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, sem qualquer relação com a operação das urnas eletrônicas.
O senador Flávio Bolsonaro utilizou um documento da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, que analisou alegações de fraude nas eleições venezuelanas, para tentar associar a Smartmatic às urnas brasileiras. No entanto, o relatório da CIA não confirmou a ocorrência de fraudes em larga escala nas eleições venezuelanas entre 2004 e 2020.
A fala do pré-candidato gerou reações de adversários e especialistas, que veem uma estratégia similar à utilizada por seu pai para atacar o sistema eleitoral brasileiro. A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro, em nota, afirmou que ele não questionou a integridade do sistema de votação, mas não abordou diretamente a informação falsa sobre as urnas.
O comunicado da campanha ressaltou que Flávio Bolsonaro “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e enfatizou a importância de observadores internacionais para garantir a transparência e a integridade do processo eleitoral.
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