Ronaldo Caiado é oficializado como candidato à Presidência pelo PSD com Kassab como vice
Em convenção realizada em São Paulo, ex-governador de Goiás critica adversários e busca apoio em meio à polarização política.
O Partido Social Democrático (PSD) confirmou neste domingo (26) a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, durante uma convenção nacional realizada em São Paulo. O ex-governador de Goiás terá como companheiro de chapa o presidente do partido, Gilberto Kassab, que será o candidato a vice-presidente.
No discurso de lançamento, Caiado expressou sua gratidão a Kassab por manter seu apoio, mesmo diante de pressões para que desistisse da candidatura. Ele prometeu, se eleito, implementar um novo modelo de governo e destacou que o Brasil não deve escolher entre os candidatos com maior rejeição na política nacional. O ex-governador mencionou sua alta aprovação de 88% ao deixar o governo de Goiás como evidência de sua capacidade de gestão.
Esta será a segunda tentativa de Caiado em uma corrida presidencial, tendo participado pela primeira vez em 1989, quando obteve apenas 0,72% dos votos no primeiro turno. Ao longo de sua trajetória política, Caiado também atuou como deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos, renunciando ao cargo em março para se candidatar novamente.
A chapa foi definida em 1º de julho, quando Caiado anunciou Kassab como seu vice, enfatizando que o dirigente terá um papel ativo em um eventual governo. No entanto, a candidatura enfrenta desafios em estados estratégicos. Em São Paulo, por exemplo, o PSD apoia a reeleição de Tarcísio de Freitas, aliado de Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a outro candidato, enquanto em estados como Rio de Janeiro e Bahia, lideranças do partido estão alinhadas ao presidente Lula.
Com a oficialização de sua candidatura, Caiado se torna o terceiro presidenciável a formalizar sua chapa este ano, após Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL). As convenções de outros candidatos, como Romeu Zema (Novo) e Lula (PT), estão programadas para os próximos dias. O prazo para a realização das convenções partidárias vai até 5 de agosto, com o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto e início oficial da campanha no dia seguinte.
Trajetória política
Aos 76 anos, Ronaldo Caiado é médico ortopedista e produtor rural, tendo iniciado sua carreira política como fundador da União Democrática Ruralista (UDR), que representava proprietários rurais durante debates sobre reforma agrária. Ele presidiu a entidade entre 1986 e 1989 e, após uma tentativa frustrada à Presidência em 1989, construiu uma carreira sólida na Câmara dos Deputados, sendo eleito em diversas ocasiões.
Eleito senador em 2014, Caiado deixou o cargo no meio do mandato para assumir o governo de Goiás em 2018, sendo reeleito em 2022. Sua trajetória inclui passagens por diferentes siglas, culminando em sua filiação ao PSD em 2026, após deixar o Uniã Brasil.
Recentemente, Caiado enfrentou um desafio judicial, sendo condenado em primeira instância por abuso de poder político, mas a decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) em abril de 2025, embora tenha sido mantida uma multa de R$ 60 mil por conduta vedada.
Nas pesquisas mais recentes, Caiado aparece em terceiro lugar na corrida presidencial, com 4% das intenções de voto, atrás de Lula (40%) e Flávio Bolsonaro (28%).
Propostas de governo
Entre as principais bandeiras de sua pré-campanha, Caiado defende uma anistia ampla, geral e irrestrita a Bolsonaro e a outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, uma medida que dependeria da aprovação do Congresso. Na área de segurança pública, ele propõe classificar facções criminosas como organizações terroristas e já defendeu o uso das Forças Armadas contra o crime organizado na Amazônia, além de trazer ao governo federal modelos de integração policial testados em Goiás.
No campo econômico, Caiado promete um corte imediato de 25% nos orçamentos dos três Poderes, não elevar impostos e projetar uma redução da relação dívida pública/PIB em um ponto percentual por ano. Ele também planeja enviar ao Congresso propostas de reforma administrativa, política e trabalhista, além de revisar a reforma tributária e defender uma política industrial de longo prazo voltada para tecnologia, inovação e exploração de minerais estratégicos.
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