Alterações oculares em pets exigem atendimento veterinário rápido
No Dia do Oftalmologista Veterinário, especialistas explicam sinais de urgência, exames e cuidados que ajudam a preservar visão e bem-estar.
Um olho vermelho, fechado ou com aparência esbranquiçada pode parecer uma alteração simples, mas algumas doenças oculares evoluem em poucas horas e provocam dor intensa ou perda irreversível da visão. Em 30 de agosto, Dia do Oftalmologista Veterinário, a orientação principal é não tratar cães e gatos em casa sem diagnóstico, especialmente quando os sinais surgem de forma repentina.
Animais nem sempre demonstram claramente que estão com dor. Eles podem apenas reduzir as brincadeiras, evitar ambientes iluminados, esfregar o rosto ou permanecer mais quietos. Quando esses sinais passam despercebidos, uma condição inicialmente tratável pode avançar antes que o responsável procure atendimento.
A rapidez é especialmente importante diante de glaucoma, traumas, perfurações, queimaduras químicas, deslocamento do globo ocular e perda súbita da visão. Nessas situações, a avaliação emergencial aumenta as possibilidades de controlar a dor, preservar estruturas do olho e, quando possível, manter a capacidade visual.
Especialista avalia estruturas externas e internas dos olhos
O oftalmologista veterinário investiga doenças das pálpebras, da córnea, da conjuntiva, do sistema lacrimal, do cristalino, da retina, do nervo óptico e das demais estruturas internas do olho. A especialidade também abrange a medição da pressão intraocular, a avaliação dos reflexos visuais e o planejamento de tratamentos clínicos ou cirúrgicos.
O Colégio Brasileiro de Oftalmologistas Veterinários é a entidade habilitada no sistema do Conselho Federal de Medicina Veterinária para a concessão do título de especialista na área. Essa qualificação não deve ser confundida automaticamente com a realização de cursos livres ou com a atuação frequente em atendimentos oculares. Ao procurar um especialista, o responsável pode confirmar sua formação e seu registro profissional.
O atendimento especializado pode ocorrer após o encaminhamento de um clínico ou diretamente quando existe uma alteração ocular evidente. O trabalho costuma ser integrado a outras áreas, porque doenças sistêmicas também podem afetar os olhos. Diabetes, hipertensão, infecções, alterações imunológicas e alguns tipos de câncer estão entre as condições capazes de produzir manifestações oftálmicas.
Além de tratar doenças já instaladas, o especialista acompanha animais com predisposição a alterações hereditárias, pacientes diabéticos, cães e gatos submetidos a cirurgias e indivíduos que utilizam medicamentos por períodos prolongados. A frequência das revisões depende do diagnóstico, da resposta ao tratamento e do risco de progressão.
Vermelhidão, secreção e mudanças de comportamento são alertas
Vermelhidão, lacrimejamento, secreção, coceira e permanência do olho fechado ou semicerrado justificam avaliação veterinária. Sensibilidade à luz, córnea azulada ou esbranquiçada, alteração no tamanho da pupila e aumento do volume do olho também podem indicar condições dolorosas ou capazes de comprometer a visão.
Colisões com móveis, hesitação diante de escadas, dificuldade para encontrar objetos e insegurança em ambientes escuros podem revelar redução visual. Mudanças repentinas de comportamento também merecem atenção. Um animal que passa a evitar contato, reage ao toque próximo da cabeça ou deixa de circular pela casa pode estar tentando se proteger da dor ou da desorientação.
A secreção ocular não deve ser classificada automaticamente como conjuntivite. Ela pode acompanhar olho seco, úlcera de córnea, alterações das pálpebras, presença de corpo estranho, inflamações internas e infecções. A aparência da secreção, sozinha, não define a causa nem indica qual medicamento deve ser utilizado.
Entre as doenças mais frequentes estão catarata, glaucoma, úlcera de córnea, ceratoconjuntivite seca, conhecida como olho seco, uveíte, alterações de pálpebras e doenças da retina. Traumas, infecções e inflamações também podem comprometer diferentes partes do olho e apresentar sinais semelhantes nas fases iniciais.
A úlcera de córnea ocorre quando há perda de parte da superfície corneana. Arranhões, pelos em contato constante, redução da produção lacrimal, corpos estranhos e alterações anatômicas podem contribuir para o problema. Algumas úlceras são superficiais, enquanto outras avançam para camadas profundas e aumentam o risco de perfuração.
O glaucoma está relacionado ao aumento da pressão dentro do olho e pode causar dor, alterações da córnea, dilatação da pupila e redução rápida da visão. Um sopro de colírio ou uma limpeza superficial não resolve o problema. O tratamento precisa reduzir a pressão e investigar sua origem, pois o atraso pode provocar danos permanentes à retina e ao nervo óptico.
Exames diferentes ajudam a localizar e compreender o problema
A consulta começa pelo histórico. O veterinário pergunta quando a alteração apareceu, se houve trauma, contato com produtos químicos, uso de medicamentos e presença de doenças anteriores. Em seguida, observa a simetria dos olhos, as pálpebras, a resposta das pupilas, a movimentação ocular e a capacidade de acompanhar estímulos.
O teste de produção lacrimal mede a quantidade de lágrima e ajuda na investigação do olho seco. A coloração com fluoresceína evidencia lesões na córnea e pode auxiliar na avaliação da drenagem lacrimal. Esses procedimentos são diferentes e respondem a perguntas específicas, por isso um não substitui o outro.
A tonometria mede a pressão intraocular e é fundamental quando há suspeita de glaucoma ou uveíte. O exame com lâmpada de fenda permite observar em detalhe a córnea, a câmara anterior, a íris e o cristalino. A avaliação do fundo do olho examina retina, vasos e nervo óptico, desde que as estruturas anteriores estejam suficientemente transparentes.
A ultrassonografia ocular pode ser indicada quando cataratas, sangramentos ou outras opacidades impedem a visualização das estruturas internas. Ela também auxilia na investigação de descolamentos de retina, alterações do cristalino e massas. Exames laboratoriais, aferição da pressão arterial e métodos de imagem adicionais podem ser solicitados conforme a suspeita.
| Exame | Principal finalidade |
|---|---|
| Teste lacrimal | Avalia a produção de lágrimas e auxilia no diagnóstico do olho seco. |
| Fluoresceína | Identifica lesões na córnea e contribui para avaliar a drenagem lacrimal. |
| Tonometria | Mede a pressão intraocular e auxilia na investigação de glaucoma e uveíte. |
| Lâmpada de fenda | Permite observar detalhadamente estruturas da parte anterior do olho. |
| Fundo de olho | Avalia retina, vasos sanguíneos e nervo óptico. |
| Ultrassonografia ocular | Examina estruturas internas quando opacidades impedem a visualização direta. |
| Testes de visão e reflexos | Analisam respostas neurológicas e a capacidade funcional do sistema visual. |
Na catarata, o cristalino perde transparência e dificulta a passagem da luz. A doença pode estar relacionada à predisposição genética, ao diabetes, a inflamações e a outras condições, não apenas ao envelhecimento. Nem toda aparência esbranquiçada, porém, significa catarata. Alterações naturais do cristalino em animais idosos também podem modificar a cor dos olhos sem provocar a mesma perda visual.
A avaliação precoce permite confirmar a origem da opacidade e examinar a retina e outras estruturas antes que a transparência fique muito reduzida. Quando a cirurgia é considerada, exames adicionais ajudam a verificar se o olho possui condições de recuperar a visão. Não há colírio capaz de reverter automaticamente toda catarata instalada.
Urgências não devem ser tratadas com colírios escolhidos em casa
Traumas com objetos, brigas, quedas e acidentes durante passeios podem causar lesões externas e internas. Mesmo quando não existe sangramento aparente, o impacto pode deslocar o cristalino, provocar inflamação ou comprometer a retina. Tentar abrir o olho à força ou retirar um objeto preso aumenta o risco de lesão.
Queimaduras químicas também exigem atendimento imediato. O responsável deve entrar em contato com um serviço veterinário, informar qual produto atingiu o animal e levar a embalagem quando isso puder ser feito com segurança. Substâncias domésticas, produtos de limpeza e medicamentos inadequados podem agravar rapidamente o dano ocular.
No transporte, o animal deve ser impedido de coçar ou esfregar o rosto. O colar protetor pode ser necessário, desde que não pressione a região lesionada. Cães devem ser conduzidos com equipamento seguro, e gatos, em caixas de transporte. A proteção reduz o risco de agravamento enquanto o paciente é levado ao atendimento.
Na rotina, a prevenção inclui controlar doenças sistêmicas, manter pelos próximos aos olhos aparados quando houver indicação profissional e evitar o contato com produtos irritantes. Animais predispostos, pacientes diabéticos e indivíduos que passaram por cirurgias precisam cumprir o calendário de revisões definido pela equipe veterinária.
O que nunca fazer diante de uma alteração ocular
- Não usar colírio humano por conta própria.
- Não reutilizar medicamentos prescritos para um problema anterior.
- Não aplicar colírio com corticoide sem exame prévio da córnea.
- Não tentar retirar objetos presos ou perfurantes.
- Não esperar vários dias quando há dor ou alteração repentina.
- Não permitir que o animal continue coçando ou esfregando o olho.
Colírios com corticoides merecem atenção especial porque podem agravar determinadas úlceras e infecções. Medicamentos antigos também podem estar contaminados, vencidos ou ser inadequados para a condição atual. Olhos vermelhos apresentam causas diferentes, e tratamentos opostos podem ser necessários dependendo do diagnóstico.
Preservar a visão depende de reconhecer os sinais, procurar atendimento e seguir o acompanhamento indicado. O Dia do Oftalmologista Veterinário valoriza uma especialidade que atua não apenas na capacidade de enxergar, mas também no controle da dor e na manutenção do bem-estar de cães, gatos e outros animais.
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