Mudança de parecer da Procuradoria-Geral da República visa punição mais severa ao ministro, investigado por importunação sexual.
06 de Agosto de 2026 às 16h23

PGR pede demissão de Marco Buzzi do STJ após novas acusações de assédio

Mudança de parecer da Procuradoria-Geral da República visa punição mais severa ao ministro, investigado por importunação sexual.

O subprocurador-geral da República, José Adonis, apresentou um novo parecer durante o julgamento do Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ), solicitando a demissão do ministro Marco Buzzi. O pedido se baseia em recentes alegações de importunação sexual contra o magistrado, que está sendo avaliado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026.

Na manifestação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) argumentou que a nova regulamentação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aprovada em 4 de agosto, permite a aplicação de sanções mais rigorosas, como a demissão com perda de função. Se o STJ acatar a recomendação, Buzzi será afastado de suas funções, mas a perda definitiva do cargo dependerá da validação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Marco Buzzi, que acompanha o julgamento ao lado de seus advogados, precisa de 17 votos para ser condenado. Dos 31 ministros do STJ, 28 estão presentes na sessão. A comissão de sindicância interna já manifestou apoio à punição do ministro.

A defesa de Buzzi refuta as acusações, alegando que os relatos da ex-assessora não correspondem aos fatos e que as provas contra ele, no caso da jovem de 18 anos, são insuficientes, baseando-se apenas no depoimento da suposta vítima e de seus familiares. Paralelamente, a defesa apresentou memoriais nos gabinetes dos ministros do plenário.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Uma eventual condenação no STJ não encerrará o caso, uma vez que a defesa poderá recorrer tanto ao STF quanto ao CNJ. Para que Buzzi seja efetivamente demitido, é necessário que o STJ o condene, que o CNJ valide essa decisão e que o Supremo julgue a validade do pedido de remoção. Além do processo administrativo no STJ, Buzzi também enfrenta uma investigação paralela no CNJ e um inquérito na Polícia Federal, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

O ministro está afastado cautelarmente do STJ desde 10 de fevereiro de 2026, quando o Pleno da Corte decidiu, por unanimidade, retirá-lo temporariamente de suas funções. Antes da sessão, Buzzi havia solicitado licença médica de 90 dias, apresentando um laudo psiquiátrico. Segundo o Tribunal, o afastamento é “cautelar, temporário e excepcional”, impedindo o magistrado de exercer suas prerrogativas.

A mudança de postura da PGR, que anteriormente pedia a aposentadoria compulsória de Buzzi, reflete um novo entendimento do STF sobre as sanções aplicáveis a juízes em casos de condutas inadequadas. A nova regra, que foi oficializada pelo CNJ, estabelece que a punição máxima deve ser o afastamento do cargo, sem o pagamento de vencimentos.

O julgamento de Marco Buzzi ocorre em um contexto de revisões nas penas aplicadas a magistrados, com a expectativa de que o STJ decida sobre a pena do ministro ao fim das deliberações. O caso tem gerado grande atenção, não apenas pela gravidade das acusações, mas também pela relevância das discussões sobre a responsabilidade de membros do Judiciário.

Veja também:

Tópicos: