Deputada do PSOL é alvo de representação por suposta quebra de decoro parlamentar após postagens nas redes sociais
11 de Agosto de 2026 às 16h57

Conselho de Ética da Câmara aprova continuidade de processo contra Erika Hilton

Deputada do PSOL é alvo de representação por suposta quebra de decoro parlamentar após postagens nas redes sociais

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu, nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, pela continuidade de um processo contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que é acusada de suposta quebra de decoro parlamentar.

A ação foi protocolada em março deste ano pelo partido Missão, que questiona declarações feitas pela deputada em suas redes sociais após ela ser eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Erika Hilton se destacou ao ser a primeira mulher transexual a assumir a liderança desse colegiado. Sua eleição, no entanto, gerou controvérsias e críticas por parte da oposição, que alegou que suas postagens nas redes sociais configurariam uma quebra de decoro. Em resposta às críticas, a deputada afirmou: “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa.”

Na representação, o partido Missão argumenta que a postura de Hilton é “incompatível com o decoro” e pede a perda de seu mandato. Aliados da deputada, durante a reunião, afirmaram que o processo é uma forma de “revanche” pela sua eleição na Comissão da Mulher e ressaltaram a imunidade parlamentar da congressista, apontando um viés preconceituoso nas acusações.

O relator da ação, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, destacou que a “palavra final” sobre uma possível punição à deputada será do Conselho e que seu voto foi apenas pela admissibilidade da representação. Ele também criticou a ausência de Erika Hilton na reunião, onde sua defesa foi lida pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP).

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Em sua defesa escrita, apresentada em junho, Erika Hilton solicitou a suspeição do relator, mas o pedido foi negado pelo presidente do Conselho, Fábio Schiochet (União-SC). A deputada argumentou que Cabo Gilberto havia se manifestado publicamente contra sua eleição na Comissão, o que, segundo ela, comprometeria sua imparcialidade.

Com a aprovação do parecer pela admissibilidade, o processo seguirá tramitando. Os próximos passos incluem notificar a deputada para que apresente uma nova defesa, além da indicação de provas e escolha de testemunhas para oitiva no Conselho.

O procedimento, no entanto, enfrenta um calendário apertado, já que os mandatos dos deputados se encerram em dezembro e a Câmara entra em recesso em janeiro, o que pode inviabilizar a conclusão do processo antes das eleições. A experiência anterior mostra que muitos procedimentos aprovados pelo Conselho não avançam até o plenário.

Além disso, em casos de punições, como a perda de mandato, a decisão final cabe ao plenário da Câmara, o que pode prolongar ainda mais o desfecho do caso. O prazo máximo de tramitação dos processos no Conselho é de 90 dias.

A representação contra Erika Hilton é vista por alguns como uma tentativa de silenciar vozes progressistas dentro da Câmara, especialmente em um momento em que a diversidade e a inclusão estão em pauta nas discussões políticas.

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