Romeu Zema critica Alexandre de Moraes e pede impeachment e prisão do ministro
Candidato à Presidência pelo Novo, Zema se manifesta após revelações sobre contrato de R$ 131 milhões envolvendo o STF
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, intensificou suas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao defender o impeachment e a prisão do magistrado. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 1º de setembro, após a divulgação de que Moraes teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Zema utilizou suas redes sociais para expressar sua indignação, afirmando que “esse projetinho de ditador nunca me enganou”. Ele ainda ressaltou que, enquanto governador, já havia protocolado um pedido de impeachment contra Moraes e reiterou: “Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”.
A controvérsia surgiu após a revelação de que metadados do contrato, que foi enviado via WhatsApp a Vorcaro, indicam que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, gerando repercussão nas redes sociais e na esfera política.
Na manhã da mesma terça-feira, Zema fez uma série de postagens, incluindo uma que mencionava a atuação da Polícia Federal (PF) em relação ao contrato. Ele afirmou que Moraes teria solicitado proteção para Vorcaro ao procurador-geral da República e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o que, segundo ele, reforça a necessidade de responsabilização do ministro.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Ele merece é cadeia”, enfatizou Zema em suas declarações. O ex-governador já havia se posicionado contra ministros do STF em diversas ocasiões, utilizando vídeos e postagens para criticar a atuação de figuras políticas e do Judiciário.
A reação de Zema não passou despercebida. O ministro do STF Gilmar Mendes havia solicitado, em abril deste ano, que Zema fosse investigado no inquérito das fake news, após o presidenciável compartilhar um vídeo satírico que criticava membros da Corte. Zema, por sua vez, expressou surpresa e decepção com a solicitação, afirmando que isso demonstra uma tentativa de silenciar vozes discordantes.
Em uma nota divulgada, o escritório de Viviane Barci de Moraes esclareceu que, antes da assinatura do contrato, consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais, e que Moraes não estava envolvido em julgamentos que pudessem afetar o acordo. A defesa do magistrado afirma que não houve irregularidades na contratação.
Além disso, o ministro André Mendonça está avaliando a possibilidade de abrir uma investigação formal contra Moraes, considerando as novas revelações. Mendonça tem conversado com aliados para mapear os votos que poderiam apoiar essa ação no plenário do STF, onde somente os ministros podem autorizar investigações desse tipo.
As críticas de Zema ao STF fazem parte de uma estratégia mais ampla de sua campanha, que inclui um discurso de combate à impunidade e à corrupção. O candidato tem se posicionado como um defensor da responsabilidade das autoridades, especialmente em relação a figuras que ocupam cargos elevados.
O contrato em questão, que previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 131 milhões, foi alvo de investigações que revelaram detalhes sobre sua edição e os envolvidos. As mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, que foram obtidas pela PF, indicam um relacionamento próximo entre o ex-banqueiro e o ministro, o que levanta novas questões sobre a ética na condução de negócios envolvendo autoridades.
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