No Outubro Rosa, tutores devem observar nódulos, inchaço e secreções nas mamas: avaliação veterinária rápida amplia as opções de tratamento.
17 de Setembro de 2026 às 10h00

Câncer de mama em cães e gatos: sinais pedem atenção precoce

No Outubro Rosa, tutores devem observar nódulos, inchaço e secreções nas mamas: avaliação veterinária rápida amplia as opções de tratamento.

O câncer de mama não é uma preocupação exclusiva da saúde humana. Tumores mamários estão entre as neoplasias mais frequentes em cadelas não castradas e também atingem gatas, nas quais o comportamento da doença tende a ser mais agressivo. O principal recado para os tutores no Outubro Rosa é objetivo: qualquer alteração na cadeia mamária precisa ser examinada por um médico-veterinário sem demora.

Nem todo nódulo é maligno, mas não é possível definir sua natureza apenas pela aparência ou pelo toque. Em cães, aproximadamente metade dos tumores mamários é maligna. Nos gatos, a proporção estimada de malignidade fica entre 80% e 90%. Essa diferença ajuda a explicar por que pequenas massas em felinos exigem atenção especialmente rápida.

As fêmeas são as mais afetadas, embora tumores mamários também possam ocorrer, com menor frequência, em machos. Idade, exposição a hormônios ovarianos e uso de medicamentos hormonais estão entre os fatores associados ao risco. O histórico individual deve ser analisado na consulta, sem conclusões baseadas apenas em sexo, raça ou idade.

Alterações pequenas não devem ser ignoradas

O sinal mais comum é um caroço sob a pele, próximo a um dos mamilos. Ele pode ser pequeno, firme e móvel no início. Também merecem investigação aumento de volume, assimetria entre as mamas, secreção, vermelhidão, calor, dor, ferida que não cicatriza ou pele ulcerada. Em casos avançados, podem surgir perda de apetite, emagrecimento e indisposição.

Cães podem apresentar mais de um tumor, em glândulas diferentes e até nas duas cadeias mamárias. Por isso, a avaliação não se limita ao ponto percebido pelo tutor. O exame clínico inclui palpação de todas as mamas e dos linfonodos próximos, medição das massas e verificação do estado geral do animal.

Observar o corpo do pet durante momentos tranquilos de carinho pode ajudar a notar mudanças, mas esse cuidado não substitui consultas periódicas. Apertar, furar ou aplicar produtos sobre um nódulo pode causar dor, inflamação e atraso no diagnóstico. Também não se deve esperar que a massa cresça para procurar atendimento.

Quanto menor o tumor no momento da abordagem, maiores podem ser as possibilidades de controle local. O tamanho, porém, é apenas um dos elementos do prognóstico. Espécie, tipo e grau histológico, comprometimento de linfonodos, invasão de vasos e presença de metástases também influenciam as decisões e a evolução do caso.

Diagnóstico vai além de identificar um caroço

A punção com agulha fina pode ajudar a diferenciar uma massa mamária de outras alterações de pele ou tecido subcutâneo. Ainda assim, especialmente por causa da variedade de células dentro de um mesmo tumor, ela nem sempre determina com segurança se a lesão é benigna ou maligna. O diagnóstico definitivo costuma depender do exame histopatológico do tecido retirado.

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Antes do tratamento, o estadiamento procura descobrir a extensão da doença. Conforme o caso, podem ser indicados exames de sangue, avaliação dos linfonodos, radiografias do tórax e outros exames de imagem. O objetivo é verificar a saúde do paciente e buscar sinais de disseminação, informação que altera o plano terapêutico.

A cirurgia é a principal forma de controle para a maioria dos tumores mamários operáveis. A extensão da retirada varia: pode envolver apenas a massa, uma glândula, um conjunto de glândulas ou uma cadeia mamária. Não existe uma operação única adequada para todos os animais, e a estratégia costuma ser diferente entre cães e gatos.

Depois da cirurgia, a análise do tecido informa o tipo do tumor, suas margens e características de agressividade. Com esses dados, a equipe avalia a necessidade de acompanhamento por oncologista e de terapias adicionais. O retorno programado é parte do tratamento, pois permite acompanhar a cicatrização, examinar novamente as mamas e buscar recidivas ou novas lesões.

Castração ajuda a prevenir, mas exige decisão individual

A castração precoce reduz a exposição aos hormônios ovarianos e pode diminuir o risco de tumores mamários. O efeito protetor é mais relevante quando o procedimento ocorre antes dos primeiros ciclos reprodutivos. Isso não significa, porém, que exista uma idade universal: porte, raça, saúde e outros riscos precisam entrar na conversa com o médico-veterinário.

Uma fêmea castrada ainda pode desenvolver uma massa, assim como a castração após o aparecimento do tumor não substitui cirurgia, estadiamento ou análise histológica. O procedimento integra a prevenção e pode fazer parte do planejamento terapêutico em situações específicas, mas não deve ser apresentado como garantia contra o câncer.

Medicamentos para impedir o cio não são alternativa segura à avaliação veterinária. A exposição a progestágenos e estrogênios pode aumentar o risco de alterações mamárias e de outros problemas. Nenhum produto hormonal deve ser oferecido por conta própria, mesmo que já tenha sido usado anteriormente no animal.

O Outubro Rosa pode ampliar a atenção dos tutores, mas o cuidado precisa continuar ao longo do ano. Conhecer o corpo do pet, manter a rotina preventiva e investigar cedo qualquer mudança são medidas simples que evitam a normalização de um nódulo. Diante de uma alteração mamária, o tempo deve ser usado para diagnosticar, não para observar se ela desaparece sozinha.

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