Problemas bucais em cães e gatos podem provocar dor, perda de dentes e afetar a qualidade de vida; escovação diária é a principal prevenção.
17 de Setembro de 2026 às 15h32

Mau hálito em pets pode ser sinal de doença periodontal

Problemas bucais em cães e gatos podem provocar dor, perda de dentes e afetar a qualidade de vida; escovação diária é a principal prevenção.

O mau hálito persistente em cães e gatos pode ser mais do que um incômodo para os tutores. O sintoma está entre os sinais de alerta para alterações bucais, como acúmulo de placa bacteriana, tártaro, gengivite e doença periodontal, condições capazes de causar dor e, em estágios mais avançados, levar à perda dos dentes.

Segundo a médica-veterinária Juliana Matias de Oliveira, assistente de clínicas da Plamev, os cuidados com dentes e gengivas devem fazer parte da rotina de saúde dos animais. A avaliação da boca ajuda a identificar alterações que nem sempre são percebidas pelos tutores no dia a dia.

“A saúde bucal é fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida dos pets. O acúmulo de placa bacteriana e tártaro favorece o desenvolvimento da gengivite e da doença periodontal, podendo causar mau hálito, dor, sangramento, perda óssea e até perda dos dentes”, explica.

Diretrizes de odontologia veterinária também apontam a doença periodontal como uma condição frequente em cães e gatos e destacam que problemas dentários não tratados podem provocar dor, infecção e inflamação, com impacto direto no conforto e na qualidade de vida dos animais.

Doença periodontal pode avançar sem sinais evidentes

A doença periodontal começa com o acúmulo de placa bacteriana sobre os dentes. Sem uma higiene adequada, essa placa pode evoluir para inflamação da gengiva e formação de cálculo dentário, popularmente conhecido como tártaro. Com a progressão do quadro, estruturas responsáveis pela sustentação dos dentes também podem ser afetadas.

A veterinária ressalta que o problema não deve ser encarado como uma alteração restrita aos dentes. “A cavidade oral possui uma grande quantidade e diversidade de microrganismos e, quando a doença periodontal se instala, a inflamação pode ter repercussões além da própria boca”, afirma.

Um dos desafios para a identificação precoce é que cães e gatos nem sempre demonstram claramente que estão com dor. Alguns animais continuam se alimentando mesmo diante de alterações importantes, o que pode levar o tutor a acreditar que não existe desconforto.

Por isso, a observação das mudanças de comportamento e as avaliações veterinárias periódicas ganham importância. A identificação de problemas em fases iniciais pode reduzir o risco de progressão da doença e permitir uma abordagem adequada antes que ocorram danos mais extensos.

Sinais que merecem atenção dos tutores

Além do mau hálito persistente, gengivas avermelhadas, inchadas ou com sangramento estão entre os sinais que justificam atenção. Salivação excessiva, presença visível de tártaro, dificuldade para mastigar e aparente sensibilidade ao tocar a região da boca também podem indicar problemas.

Alterações na maneira de comer são outro ponto importante. O animal pode passar a mastigar apenas de um lado, deixar cair alimentos, evitar rações mais duras ou demonstrar desconforto durante as refeições. Mudanças desse tipo não devem ser consideradas parte normal do envelhecimento.

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“Em casos mais avançados, podem ocorrer perda de apetite, perda de peso, mobilidade e perda dos dentes. A identificação desses sinais deve motivar uma avaliação veterinária”, orienta Juliana.

A presença de mau hálito, portanto, não permite estabelecer sozinha um diagnóstico de doença periodontal. O sinal pode ter diferentes causas, e a avaliação veterinária é necessária para determinar a origem do problema e indicar, quando necessário, exames ou tratamento odontológico.

Escovação diária é a principal medida de prevenção

Para reduzir a formação de placa bacteriana e o risco de doença periodontal, a recomendação é incorporar a higiene bucal à rotina do animal. A escovação frequente permite remover a placa antes que ela se mineralize e se transforme em cálculo dentário.

“A melhor forma de prevenir o acúmulo de placa, o mau hálito e a doença periodontal é a escovação dental diária. Ela previne a formação de placa, mas não remove o tártaro já formado”, esclarece a veterinária.

A orientação coincide com recomendações utilizadas na odontologia veterinária, que consideram a escovação diária a medida doméstica mais eficaz para o controle da placa. Uma vez formado o cálculo aderido ao dente, a escovação não é suficiente para removê-lo, e o animal pode precisar de avaliação profissional.

Petiscos, dietas específicas, aditivos para água, brinquedos e produtos mastigáveis desenvolvidos para a higiene oral podem funcionar como aliados. Eles, porém, não devem ser tratados automaticamente como substitutos da escovação. Produtos cuja eficácia no controle de placa ou tártaro foi avaliada por entidades especializadas, como o Veterinary Oral Health Council (VOHC), podem auxiliar na escolha.

Ossos e objetos excessivamente duros também exigem cuidado. Embora a mastigação seja frequentemente associada à limpeza dos dentes, materiais muito rígidos podem provocar desgaste ou fraturas dentárias, criando outro problema de saúde bucal.

Acompanhamento veterinário completa os cuidados em casa

Mesmo quando a escovação é realizada de forma regular, o acompanhamento profissional continua importante. O exame da cavidade oral permite avaliar dentes, gengivas e outras estruturas, além de identificar alterações que podem não ser visíveis para o tutor.

“A saúde bucal deve ser avaliada regularmente pelo médico-veterinário, preferencialmente a cada seis meses, ou ao menos anualmente em animais saudáveis”, recomenda Juliana. A periodicidade pode variar conforme idade, porte, condição dos dentes, histórico clínico e predisposição individual.

Animais que já apresentam tártaro, inflamação gengival, dentes com mobilidade ou outras alterações podem precisar de uma avaliação mais detalhada e de tratamento específico. A conduta deve ser definida pelo médico-veterinário de acordo com o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.

A atenção à boca do pet, portanto, não deve começar apenas quando surgem mau hálito intenso, dificuldade para comer ou dentes comprometidos. Incorporar a prevenção à rotina e observar alterações precocemente pode ajudar a evitar dor, perda dentária e procedimentos mais complexos, contribuindo para o bem-estar e a qualidade de vida de cães e gatos.

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