Estudo revela que fatores como isolamento e dependência digital impactam a participação nas urnas
17 de Setembro de 2026 às 16h15

Solidão e exaustão mental elevam abstenção eleitoral no Brasil, aponta pesquisa

Estudo revela que fatores como isolamento e dependência digital impactam a participação nas urnas

Um novo estudo, intitulado Termômetro do Bem Viver, realizado pela Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha, revelou que a solidão e a exaustão mental são fatores significativos que contribuem para a alta taxa de abstenção nas eleições brasileiras. Segundo a pesquisa, cerca de 30 milhões de eleitores, o que equivale a quase um em cada três, deixaram de votar nos últimos pleitos.

A pesquisa relaciona a falta de vínculos comunitários e o distanciamento da natureza ao desinteresse pela política, destacando que esses aspectos podem ser determinantes para a ausência nas urnas. O estudo aponta que a chamada “epidemia de solidão” e a dependência digital têm gerado um ciclo de desengajamento entre os eleitores.

A diretora do Projeto Desapocalíptica, Nana Queiroz, enfatizou que os indivíduos que se sentem “desvinculados” estão em um ciclo destrutivo. “Descobrimos que os 'desvinculados' estão em ciclo muito destrutivo”, afirmou. Queiroz observou que muitos buscam a televisão e as redes sociais como uma forma de anestesiar a exaustão que sentem.

Além disso, a diretora alertou que as redes sociais podem criar “bolhas” de usuários que compartilham opiniões semelhantes, contribuindo para um ambiente de hostilidade e isolamento. “Quando essas pessoas se veem assim culpadas, exaustas e isoladas, elas acham que não têm poder de transformar o coletivo e é por isso que elas estão parando de votar”, analisou.

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O estudo identificou que quase metade dos brasileiros que se encaixam nesse perfil, cerca de 47%, são considerados “desvinculados”, ou seja, indivíduos que já deixaram de votar ou que comparecem às urnas apenas ocasionalmente. A juventude, especialmente os jovens entre 18 e 34 anos, representa 44% desse grupo, o que sinaliza uma necessidade urgente de ações para reverter esse quadro.

Nana Queiroz destacou que jornadas de trabalho extenuantes, como a escala 6x1, têm reduzido o tempo disponível para lazer e a construção de redes sociais. “A falta de conexão comunitária é alarmante, e apenas dois em cada dez jovens afirmam ter uma conexão comunitária e se sentir bem”, disse.

Para reverter essa situação, a pesquisa sugere a implementação de políticas de “Bem Viver”, que promovam o contato com a natureza, acesso à cultura, lazer e a criação de cidades mais acessíveis. “Dar bom dia para uma pessoa na padaria já influencia o seu nível de felicidade”, comentou Queiroz.

Além disso, o estudo enfatiza a importância de ações que combatam a dependência digital. Um exemplo citado é o ECA Digital, que visa enfrentar o design viciante das plataformas digitais e a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados.

“Se você quiser reconquistar essas pessoas, trazer às urnas, é preciso criar políticas que alterem a vida real delas, para que sintam que o voto tem um impacto real na vida delas”, concluiu Nana Queiroz. A pesquisa foi realizada com base em uma metodologia estrangeira que busca avaliar indicadores de qualidade de vida, indo além do enfoque econômico tradicional.

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