Pesquisa com mais de mil jovens aponta redução significativa na atividade cerebral relacionada à memória de trabalho em usuários frequentes de cannabis
30 de Janeiro de 2025 às 10h54

Estudo revela que uso frequente de maconha prejudica a memória de trabalho

Pesquisa com mais de mil jovens aponta redução significativa na atividade cerebral relacionada à memória de trabalho em usuários frequentes de cannabis

Um novo estudo, publicado no periódico JAMA Network Open, aponta que o uso frequente de maconha pode afetar negativamente a memória de trabalho, uma função cognitiva essencial para a retenção e manipulação de informações temporárias. A pesquisa, considerada a maior do gênero, envolveu mais de mil jovens adultos, com idades entre 22 e 36 anos, e revelou que 63% dos usuários intensos de cannabis apresentaram atividade cerebral reduzida durante tarefas que exigiam essa habilidade.

A memória de trabalho é crucial para diversas atividades do dia a dia, como seguir instruções ou resolver problemas matemáticos. O estudo observou que, mesmo quando não estavam sob efeito da droga, usuários frequentes exibiram desempenho inferior em testes cognitivos, conforme evidenciado por exames de imagem cerebral.

Os pesquisadores identificaram que as áreas do cérebro afetadas incluem o córtex pré-frontal dorsolateral e a ínsula anterior, que desempenham papéis importantes em funções como tomada de decisão e processamento emocional. Joshua Gowin, professor assistente de radiologia na Universidade do Colorado e autor principal do estudo, afirmou: “À medida que o uso de cannabis continua a crescer globalmente, estudar seus efeitos na saúde humana se tornou cada vez mais importante.”

O estudo também destacou que 68% dos usuários recentes de cannabis demonstraram um impacto semelhante na atividade cerebral durante tarefas de memória de trabalho. No entanto, os pesquisadores ressaltam que o uso crônico parece ter um efeito mais significativo do que o uso recente.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Os participantes foram classificados como usuários pesados se tivessem consumido maconha mais de mil vezes ao longo da vida. Aqueles que usaram entre 10 e 999 vezes foram considerados usuários moderados, enquanto aqueles que usaram menos de 10 vezes foram classificados como não usuários.

Embora o estudo tenha encontrado evidências de que o uso de cannabis pode prejudicar a memória de trabalho, ainda não está claro se esses efeitos são permanentes ou se a função cognitiva pode ser recuperada após a interrupção do uso. Gowin destacou a necessidade de mais pesquisas para entender completamente as consequências a longo prazo do uso de cannabis no cérebro.

Além disso, o estudo não conseguiu determinar a quantidade de THC, o principal componente psicoativo da maconha, que os participantes consumiram, nem controlou condições psicológicas preexistentes, como o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que também pode afetar a memória de trabalho. Isso levanta questões sobre a relação entre o uso de cannabis e o comprometimento cognitivo em usuários com essa condição.

Os pesquisadores concluíram que, apesar das limitações, o estudo fornece dados importantes sobre os efeitos do uso de maconha na memória de trabalho, destacando a necessidade de um entendimento mais profundo sobre como a cannabis impacta a função cerebral ao longo do tempo.

Veja também:

Tópicos: