Iniciativa do vereador Vile busca impedir uso de recursos públicos em eventos de artistas controversos
25 de Fevereiro de 2025 às 22h31

Câmara de BH aprova projeto de lei que proíbe shows com apologia ao crime

Iniciativa do vereador Vile busca impedir uso de recursos públicos em eventos de artistas controversos

A Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, nesta terça-feira (25 de fevereiro), um projeto de lei que proíbe o uso de recursos da prefeitura para financiar shows e apresentações de artistas que façam apologia ao uso de drogas e ao crime organizado.

O projeto, de autoria do vereador Vile (PL), é parte de uma tendência que tem se espalhado por diversas cidades brasileiras e ficou conhecido como "anti-Oruam". O termo faz referência ao rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, filho de Marcinho VP, líder de uma facção criminosa no Rio de Janeiro, e que foi preso recentemente por envolvimento em atividades ilícitas.

Na votação da CLJ, o projeto recebeu apoio unânime, com cinco votos a favor e nenhum contra. Contudo, a vereadora Fernanda Altoé (Novo), membro da comissão, destacou que o texto precisará passar por alterações durante sua tramitação na Casa, especialmente para incluir penalidades em caso de descumprimento da nova legislação.

O artigo 3º do projeto estabelece que contratos firmados em desacordo com a lei serão considerados nulos. Altoé observou que essa penalidade já é uma prática comum em contratos com o poder público e afirmou: "Vamos fazer as alterações necessárias por emenda".

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Administração Pública, Educação e Direitos Humanos antes de ser submetido à votação em plenário. Um ponto que ainda não foi definido é como serão escolhidos os artistas que poderão ou não ser contratados pelo poder público.

O vereador Vile afirmou que a discussão sobre os critérios de seleção dos artistas ocorrerá ao longo da tramitação do projeto. Ele negou que a proposta represente censura, afirmando: "Não é censura porque poderão continuar fazendo shows, só que sem recursos do contribuinte".

Na justificativa apresentada, Vile ressalta que eventos que exaltam comportamentos ilegais ou violentos podem contribuir para a normalização dessas práticas na sociedade, especialmente entre os jovens, que são o grupo mais vulnerável à influência de conteúdos que romantizam o crime.

O projeto reflete uma preocupação crescente com a influência de certos artistas e suas mensagens, e busca garantir que o dinheiro público não seja utilizado para promover eventos que possam ter um impacto negativo na sociedade.

Veja também:

Tópicos: