Venezuela revoga licenças de companhias aéreas após cancelamento de voos
Gol e outras cinco empresas enfrentam restrições após alerta dos EUA sobre segurança na região
A Venezuela anunciou na quarta-feira, 26, a revogação das licenças de operação de seis companhias aéreas internacionais, incluindo a brasileira Gol, após as empresas suspenderem seus voos para o país. A medida ocorre em meio a um alerta emitido pelos Estados Unidos sobre a segurança no espaço aéreo venezuelano, devido ao aumento das tensões militares na região.
As companhias afetadas pela decisão do governo venezuelano incluem a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a colombiana Avianca, a chilena Latam (somente sua operação na Colômbia), além da Gol e da turca Turkish Airlines. O Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) da Venezuela justificou a revogação das licenças, alegando que as empresas se uniram às ações de “terrorismo de Estado” promovidas pelos Estados Unidos ao suspenderem suas operações.
Na semana passada, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu um alerta de segurança, recomendando que as aeronaves que sobrevoam o espaço aéreo da Venezuela exercessem extrema cautela. O aviso foi motivado pelo agravamento da situação de segurança e pelo aumento da atividade militar na região.
Em resposta ao alerta, o governo da Venezuela havia dado um prazo de 48 horas para que as companhias aéreas retomassem suas operações. No entanto, as empresas não atenderam à demanda, levando à revogação das licenças. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Venezuela, mas os documentos disponíveis online só vão até o início de novembro.
O governo venezuelano, liderado pelo presidente Nicolás Maduro, tem enfrentado crescentes tensões com os Estados Unidos, que enviaram tropas para o Caribe em meio a alegações de que Maduro está envolvido em atividades de narcotráfico. O presidente americano, Donald Trump, tem se manifestado de maneira ambígua sobre a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela, ao mesmo tempo em que expressa interesse em dialogar com o governo venezuelano.
As companhias aéreas afetadas agora enfrentam um cenário incerto, com a Gol já afirmando que deseja retomar os voos assim que as condições de segurança forem adequadas. Enquanto isso, a suspensão de voos impactou milhares de passageiros, com mais de 40 voos cancelados até o momento, segundo a Associação Nacional de Agências de Viagem e Turismo (AVAVIT).
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, criticou a intervenção dos Estados Unidos e reafirmou o direito soberano da Venezuela de decidir sobre as operações aéreas em seu território. “Fiquem com seus aviões e nós ficamos com nossa dignidade”, declarou Cabello, enfatizando a posição do governo em relação à soberania nacional.
À medida que a situação continua a se desenvolver, a comunidade internacional observa atentamente as repercussões das tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à segurança na aviação e ao impacto nas relações diplomáticas entre os países.
Veja também: