Investigação apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, envolvendo cerca de R$ 12 bilhões.
26 de Janeiro de 2026 às 09h32

Polícia Federal inicia depoimentos sobre fraudes no Banco Master nesta segunda-feira

Investigação apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, envolvendo cerca de R$ 12 bilhões.

A Polícia Federal (PF) dá início, nesta segunda-feira (26), a uma série de depoimentos que visam esclarecer as supostas fraudes relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As oitivas ocorrerão na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolvem oito investigados, entre eles, executivos do BRB e do Banco Master.

Os depoimentos estão agendados para ocorrer em sessões presenciais e por videoconferência. Nesta primeira fase, quatro investigados serão ouvidos: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa envolvida nas investigações; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.

Na terça-feira (27), outros quatro envolvidos prestarão depoimento, incluindo Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição.

O inquérito, que apura irregularidades na proposta de compra do Banco Master, foi transferido para o STF em dezembro do ano passado, após decisão do ministro Dias Toffoli. A investigação foi prorrogada por mais 60 dias no início deste mês, permitindo um aprofundamento nas apurações.

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De acordo com a PF, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de rendimentos até 40% superiores à taxa básica de mercado, o que levantou suspeitas sobre a viabilidade e a legalidade das operações. Os investigadores estimam que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo práticas fraudulentas que comprometeram a integridade do sistema financeiro nacional.

Além dos depoimentos, a PF também está analisando as evidências coletadas durante a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em novembro do ano passado. Embora Vorcaro tenha sido libertado dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), as investigações continuam a revelar um complexo esquema de fraudes financeiras.

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada, visa aprofundar as investigações sobre as fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo a PF, o grupo investigado teria explorado vulnerabilidades do mercado de capitais, utilizando estratégias que incluíam transações entre partes relacionadas e o uso de laranjas.

Os investigadores identificaram indícios de que os envolvidos podem ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução ao erro de investidores, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A continuidade das investigações é essencial para esclarecer as responsabilidades e os impactos das ações dos envolvidos no sistema financeiro.

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