Ministro Dias Toffoli enfrenta seis representações por sua condução no caso Master
A atuação do relator no STF gera pedidos de impeachment e investigações sobre vínculos com investigados
A condução do caso Master pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou uma onda de representações contra o magistrado em diversos órgãos, incluindo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal. Ao todo, são seis ações que questionam sua atuação e levantam suspeitas sobre possíveis ligações com indivíduos envolvidos na investigação.
Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a relatoria de Toffoli passou a ser alvo de críticas, especialmente por decisões consideradas atípicas do ponto de vista jurídico. A pressão sobre o ministro aumentou após revelações sobre transações comerciais envolvendo sua família e pessoas ligadas a fraudes financeiras.
Um dos pontos centrais das representações diz respeito à venda da participação da família de Toffoli no resort Tayayá. A operação foi realizada com Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que está sob investigação na Operação Compliance Zero. A transação foi intermediada por uma empresa vinculada ao irmão de Toffoli, localizada em Marília, interior de São Paulo. A cunhada do ministro negou que seu marido tivesse qualquer participação societária no resort.
Das seis representações, cinco são pedidos de suspeição. Um deles já foi negado pela PGR, enquanto os outros aguardam um parecer do procurador Paulo Gonet. Além das tentativas de afastar Toffoli da relatoria do caso Master, um pedido de impeachment foi protocolado no Senado.
A primeira representação foi apresentada em 12 de dezembro pelos deputados federais Caroline de Toni (PL-SC), Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). Os parlamentares solicitaram a suspeição do magistrado após a revelação de que ele viajou com o advogado Augusto de Arruda Botelho, que representa um diretor do Master, para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru.
No momento da viagem, Toffoli ainda não havia assumido a relatoria do caso, mas após ser sorteado, não se declarou impedido de julgar a causa. A PGR negou o pedido de suspeição no último dia 15, afirmando que o caso já está sob apuração regular no STF e que não há necessidade de providências imediatas.
Após o arquivamento da primeira representação, os deputados Caroline de Toni, Adriana Ventura e Carlos Jordy apresentaram um novo pedido de suspeição, desta vez embasado nas ligações da família de Toffoli com o resort Tayayá. A petição argumenta que o relator possui “conexões pessoais e patrimoniais” com investigados na mesma operação. Este pedido está atualmente em análise pela PGR.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também oficiou a PGR, solicitando a suspeição de Toffoli devido às suas ligações com o Tayayá. O parlamentar apresentou um aditamento à representação no dia 23, que ainda não foi apreciado pela Procuradoria.
Além disso, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) encaminhou à PGR um pedido de suspeição relacionado aos supostos vínculos do relator com o resort. O parlamentar também oficiou o CNJ por uma possível violação à Lei Orgânica da Magistratura. Ambos os pedidos de Sanderson estão sob análise dos órgãos competentes.
O senador Girão, junto a outros parlamentares, protocolou um pedido de impeachment contra Toffoli na Mesa Diretora do Senado. O pedido é assinado também por Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES). A peça fundamenta-se em alegações de “conflito de interesses” e “atos processuais atípicos”, como um pedido de acareação considerado prematuro entre representantes do Master e do Banco Central.
O pedido de impeachment já foi protocolado no sistema do Senado, mas ainda não foi recebido pela Mesa. Após o recebimento, deverá ser analisado pela Advocacia da Casa, que irá avaliar a continuidade da representação junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Além das representações, Toffoli foi alvo de um protesto organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que ocorreu em frente à sede do Banco Master, localizada nas imediações da Avenida Faria Lima, em São Paulo. Os manifestantes exigiram o afastamento do ministro, criticando suas decisões recentes no inquérito.
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