OMS avalia baixo risco de propagação do vírus Nipah após casos na Índia
A Organização Mundial da Saúde descarta restrições de viagem e comércio após confirmação de infecções em dois enfermeiros.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu uma atualização sobre o vírus Nipah, avaliando como baixo o risco de sua disseminação para além da Índia. A declaração ocorre após a confirmação de dois casos de infecção em enfermeiros no estado de Bengala Ocidental, no final de dezembro.
Os pacientes, um homem e uma mulher de 25 anos, trabalham no mesmo hospital e estão em tratamento hospitalar. As autoridades de saúde indianas informaram que ambos estão se recuperando e apresentam condições estáveis.
A OMS não recomenda, neste momento, restrições a viagens ou ao comércio, destacando que não há evidências de transmissão sustentada entre pessoas. A organização está monitorando a situação em coordenação com as autoridades indianas, que afirmam ter capacidade para conter surtos localizados.
Após a confirmação dos casos, países asiáticos como Tailândia e Indonésia intensificaram as medidas de prevenção. A Tailândia, por exemplo, implementou triagens de saúde em aeroportos internacionais para passageiros vindos de Bengala Ocidental.
O vírus Nipah, que pode ser transmitido a humanos por animais como morcegos e porcos, é considerado um patógeno de alta gravidade, com uma taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%. A infecção pode causar febre, inflamação cerebral e complicações neurológicas severas.
Até o momento, não existem vacinas ou tratamentos licenciados para o vírus. A OMS ressalta que a disseminação entre humanos é considerada mais difícil, geralmente ocorrendo em situações de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas.
O vírus já foi identificado em populações de morcegos na Índia e em Bangladesh, o que levanta a possibilidade de novos episódios de exposição. As autoridades indianas estão atentas ao histórico de surtos, sendo este o sétimo registrado no país e o terceiro em Bengala Ocidental, onde já ocorreram episódios anteriores no início dos anos 2000.
Embora o risco de disseminação internacional seja considerado baixo, a OMS mantém o vírus Nipah na lista de patógenos prioritários, devido à sua elevada letalidade e à ausência de vacinas ou tratamentos disponíveis. A organização também está aguardando a divulgação da sequência genética do vírus pela Índia para verificar possíveis mutações.
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