Especialistas alertam que receitas caseiras e “pausas” no antiparasitário abrem brecha para infestações e doenças, inclusive dentro de casa, durante o ano todo.
30 de Janeiro de 2026 às 13h59

Pulgas e carrapatos: 10 mitos que colocam cães e gatos em risco

Especialistas alertam que receitas caseiras e “pausas” no antiparasitário abrem brecha para infestações e doenças, inclusive dentro de casa, durante o ano todo.

Quem convive com cães e gatos sabe que pulgas e carrapatos estão entre as preocupações mais comuns na rotina de cuidados. Mas, junto com a busca por soluções, circulam também crenças antigas, dicas de internet e “receitas naturais” que prometem resolver o problema de forma simples. Veterinários ouvidos por especialistas são diretos: parte dessas ideias não funciona e, em alguns casos, pode até intoxicar o animal.

O controle desses parasitas não é apenas uma questão de incômodo ou estética. Além da coceira, pulgas e carrapatos podem transmitir doenças e desencadear quadros graves, como anemia e alergias intensas. A seguir, veja 10 conceitos equivocados que ainda confundem tutores e o que a ciência e a prática veterinária apontam como caminho mais seguro.

1. “Pet de cidade não pega pulga nem carrapato”

É um dos erros mais comuns. Animais que vivem em áreas urbanas seguem expostos em passeios por ruas arborizadas, praças, parques e canteiros. E há carrapatos que se adaptaram perfeitamente ao ambiente das cidades, encontrando abrigo em casas e apartamentos, especialmente em locais com frestas e áreas protegidas.

A falsa sensação de segurança faz com que muitos tutores deixem a prevenção de lado por meses. O resultado costuma aparecer quando a infestação já está instalada, exigindo tratamento mais longo e caro.

2. “No frio, dá para suspender o antiparasitário”

Pulgas e carrapatos não desaparecem no inverno. Quando a temperatura cai, pulgas podem se concentrar em ambientes internos, onde há aquecimento, tecidos e locais ideais para se multiplicarem. Em grande parte do Brasil, com clima quente ou ameno por longos períodos, a chance de infestação permanece elevada.

Por isso, veterinários reforçam que a proteção deve ser contínua, sem “intervalos” entre aplicações, para evitar janelas de vulnerabilidade.

3. “Vinagre e alho resolvem o problema”

Receitas caseiras viralizam com facilidade, mas não entregam o nível de eficácia necessário para interromper o ciclo dos parasitas. O vinagre, além de não eliminar pulgas e carrapatos de forma confiável, pode irritar a pele do animal dependendo da concentração.

Já o alho é um risco real: é tóxico para cães e gatos e pode causar anemia por dano às células do sangue. O que parece uma alternativa “natural” pode virar emergência veterinária.

4. “Se o animal não sai de casa, não precisa se proteger”

Mesmo pets que vivem exclusivamente dentro de casa podem ter contato com pulgas e carrapatos. Os parasitas podem entrar no ambiente por meio de roupas, calçados, bolsas e objetos trazidos da rua, além de visitantes e outros animais.

Basta um único parasita para iniciar uma infestação, já que o ciclo reprodutivo é rápido e favorecido por ambientes internos.

5. “O pet é o culpado por trazer parasitas para dentro”

Cães e gatos são hospedeiros, mas não são os únicos responsáveis. Humanos também podem transportar ovos e larvas sem perceber, principalmente após caminhar em locais com vegetação ou circular por áreas com grande fluxo de animais.

Entender isso muda a estratégia: não adianta tratar apenas o pet e ignorar o ambiente e a prevenção regular.

6. “Se eu não vejo pulga, então não tem”

Detectar pulgas a olho nu pode ser mais difícil do que parece. Elas se escondem entre os pelos e, muitas vezes, o tutor só percebe quando a infestação já avançou. Um sinal comum são pequenos pontos escuros, que podem ser fezes de pulga, espalhados pela pelagem.

Há ainda animais que desenvolvem reações alérgicas intensas com poucas picadas, apresentando coceira e lesões antes mesmo de o parasita ser identificado visualmente.

7. “Produtos naturais têm a mesma eficácia dos medicamentos”

Alguns itens podem até ter efeito repelente leve, mas não substituem a ação de antiparasitários testados e aprovados para uso veterinário. Medicamentos passam por ensaios clínicos e têm duração prevista, com proteção que varia de semanas a meses, dependendo do produto.

O problema dos “naturais” é a falta de padronização e previsibilidade. Isso cria brechas, e é nessas brechas que a infestação se estabelece.

8. “Pulga só causa coceira”

Pulgas podem desencadear quadros muito mais graves do que desconforto. Entre os riscos estão dermatite alérgica à picada, infecções de pele por coçar demais, anemia, perda de peso e transmissão de parasitas intestinais.

Em animais sensíveis, a dermatite alérgica pode evoluir com feridas, queda de pelos e infecções secundárias, exigindo tratamento prolongado e impactando diretamente a qualidade de vida.

9. “Carrapato é só tirar e pronto”

Carrapatos têm um mecanismo de fixação eficiente: as peças bucais penetram a pele e o parasita secreta uma substância que funciona como “cola”. Por isso, tentar remover de qualquer jeito pode deixar partes presas no animal e aumentar o risco de complicações.

Em caso de infestação, a recomendação é buscar orientação veterinária e manter a prevenção adequada, reduzindo a chance de o carrapato permanecer tempo suficiente para transmitir doenças.

10. “Quando aparecer, eu trato”

Esse é um dos equívocos mais perigosos. Antiparasitários são, principalmente, preventivos. Quando pulgas e carrapatos já são vistos, é provável que o ambiente esteja contaminado, com ovos e larvas espalhados em locais como sofás, tapetes, caminhas e frestas do piso.

Além disso, pulgas se reproduzem rápido e podem colocar dezenas de ovos por dia. Algumas fases do ciclo conseguem “resistir” no ambiente por semanas ou meses, o que torna o controle muito mais difícil quando a prevenção é interrompida.

Conclusão

Combater pulgas e carrapatos exige constância, informação confiável e um plano que leve em conta o estilo de vida do animal e o ambiente onde ele vive. A prevenção ao longo do ano é o caminho mais seguro para evitar infestações e reduzir o risco de doenças.

Na dúvida sobre o melhor protocolo para o seu pet, a orientação de um médico-veterinário é essencial, tanto para escolher o produto correto quanto para garantir aplicação segura e eficaz.

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