Ministro do STF pode ser convocado para prestar esclarecimentos sobre o caso do Banco Master
12 de Fevereiro de 2026 às 15h01

Congresso intensifica pressão sobre Toffoli e avança com CPI e quebra de sigilo

Ministro do STF pode ser convocado para prestar esclarecimentos sobre o caso do Banco Master

BRASÍLIA – O Congresso Nacional está mobilizado contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, após a Polícia Federal (PF) solicitar sua suspeição no caso do Banco Master. A PF encontrou referências a Toffoli no celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro, que é um dos principais investigados no escândalo.

A possibilidade de convocação de Toffoli e a quebra de sigilo das conversas no celular de Vorcaro estão sendo discutidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Os parlamentares também solicitaram que o STF abra uma comissão para investigar as atividades do Banco Master.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi um dos primeiros a reagir às novas revelações sobre os contatos entre Toffoli e Vorcaro. “O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval, a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”, afirmou.

Vieira já havia apresentado à CPI dois requerimentos que visam convocar os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, para prestar depoimento. O senador fundamenta seu pedido com base em uma reportagem que revelou que a casa de José Eugênio Dias Toffoli é a sede de uma empresa que vendeu parte de um resort no Paraná ao fundo de Vorcaro por R$ 3 milhões. A mulher do irmão do ministro negou que ele tenha sido dono de qualquer resort.

O requerimento também se baseia em “indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação no âmbito da segurança pública e do sistema financeiro”. Toffoli é acionista da Maridt, uma empresa cujos dirigentes são seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. A Maridt é uma sociedade anônima de “livro”, o que significa que seus proprietários não são identificáveis em registros públicos.

O Estadão já havia noticiado que Toffoli recebeu dinheiro de uma empresa que fez negócios com o fundo de seu cunhado, Vorcaro. Em nota divulgada, Toffoli confirmou que é sócio da empresa e recebeu dividendos, mas negou ter “relação de amizade” com Vorcaro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” do banqueiro.

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Na Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também articula uma frente para pressionar Toffoli e Vorcaro, pedindo que o STF libere integralmente o conteúdo das conversas do banqueiro. “É fundamental que o Supremo determine o fim do sigilo sobre essa investigação e possa revelar todos os diálogos que estão no telefone do Vorcaro. A população brasileira tem o direito de saber o que foi conversado, se houve intervenção política”, disse.

Rollemberg foi o primeiro a protocolar um pedido de instalação de CPI, apresentado na retomada dos trabalhos parlamentares em 2 de fevereiro. O requerimento visa apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo Banco de Brasília (BRB) ao Banco Master entre janeiro e junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões por carteiras falsas e R$ 5,5 bilhões de prêmio. O deputado é opositor do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que controla o BRB.

“É preciso tornar óbvio que é necessário instalar a CPI. Qualquer ação no sentido de não instalar a CPI vai trazer uma mensagem muito ruim para a população brasileira, de que a Câmara estaria abrindo mão da responsabilidade de investigar um escândalo”, afirmou Rollemberg.

Ele também comunicou que pedirá ao STF que determine a instalação da comissão, uma prática que já ocorreu em outras CPIs, como a da Covid, durante a pandemia. Este não é o único requerimento de CPI que avança no Congresso. Logo após o protocolo de Rollemberg, a oposição apresentou um pedido de instalação de CPI Mista.

Essa tática é frequentemente utilizada para contornar a fila de outras CPIs, um argumento que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), costumam usar para não instalar novas comissões. Motta já argumentou que a comissão sobre o Banco Master vai “entrar na fila” de requerimentos.

Paralelamente, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) também estão coletando assinaturas para protocolar seus requerimentos de criação de CPI do Banco Master.

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