Rio Grande do Sul registra dois tornados em quatro dias e Defesa Civil emite alerta
Entre os dias 12 e 15 de fevereiro, fenômenos causaram danos em diversos municípios do estado, com risco de novas tempestades.
O Rio Grande do Sul (RS) enfrentou uma sequência de tempestades severas entre os dias 12 e 15 de fevereiro, resultando na formação de dois tornados. O primeiro fenômeno foi registrado em Pelotas, enquanto o segundo ocorreu na região de Encruzilhada do Sul. As tempestades provocaram destelhamentos, quedas de postes e danos em várias localidades do estado. Para esta segunda-feira (16), a Defesa Civil mantém um alerta para chuvas intensas, raios e rajadas de vento, com risco elevado de destelhamentos nas áreas dos vales e na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O tornado que atingiu Pelotas foi de curta duração, mas causou estragos significativos. De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o fenômeno provocou a queda de postes e galhos, além de danos estruturais, incluindo uma oficina mecânica. O órgão já havia emitido um alerta laranja para a região na manhã do dia 12, quando um sistema de instabilidades começou a se formar sobre a região Sul.
Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia, localizada no campus da Universidade Federal de Pelotas, foram registradas rajadas de vento de até 75 km/h durante a tempestade. As instabilidades afetaram ao menos 17 municípios gaúchos, resultando em destelhamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Em Estrela, cerca de 100 residências foram danificadas por um vendaval que durou menos de dez minutos, concentrando os danos em bairros da faixa leste do município. A prefeita Carine Schwingel decretou situação de emergência para facilitar a liberação de recursos. Além disso, escolas de educação infantil também sofreram destelhamentos, e equipes municipais montaram pontos de atendimento para os moradores afetados.
Outras cidades, como Arroio Grande, Jaguarão, Rio Grande, Uruguaiana, Itaqui e Cruz Alta, relataram impactos semelhantes, com danos em telhados, galpões e estruturas públicas, além de quedas de árvores em vias urbanas e áreas rurais, evidenciando a abrangência do sistema de tempestades no estado.
No dia 15, moradores de Encruzilhada do Sul novamente registraram a formação de um tornado. Meteorologistas explicam que o fenômeno esteve ligado à atuação de uma supercélula no sudeste gaúcho, que interagiu com a brisa marítima, criando condições propícias para a formação de tornados.
Conforme o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, supercélulas são um dos tipos mais perigosos de tempestades severas. Elas se formam quando o ar quente e úmido ascende e encontra ventos mais intensos a alguns quilômetros acima do solo, resultando em ventos giratórios dentro da tempestade, conhecidos como mesociclones.
O meteorologista Vitor Goede, mestre em meteorologia pela Universidade Federal de Santa Maria, comentou sobre a previsão do dia 15: “Fiz a previsão hoje, observando que, se as supercélulas no sudeste do RS interagissem com a brisa marítima em avanço, haveria potencial para formação de tornado (2% de probabilidade). Isso de fato aconteceu, pois uma supercélula produziu um tornado fotogênico sobre Encruzilhada do Sul”.
Nesta segunda-feira, a Defesa Civil do estado reiterou o monitoramento e emitiu um novo aviso de instabilidade, mantendo o alerta para a região dos vales e parte da Região Metropolitana de Porto Alegre. A previsão inclui chuvas, ventos e descargas elétricas, além do risco alto de novos destelhamentos.
O comunicado orienta a população a evitar áreas de risco e a acionar os serviços de emergência pelos telefones 190 e 193 em caso de necessidade.
Veja também: