Conheça Nietzsche, o gato de 20 anos que trabalha no PetBR
Aos 20 anos, o felino que revisa anúncios, comanda a redação e dita tendências compartilha sua trajetória, seus cuidados de saúde e os segredos para uma longevidade.
Se existe alguém que entenda de longevidade, produtividade seletiva e liderança com elegância, esse alguém é Nietzsche. Gato, filósofo, redator e CEO do PetBR, ele foi oficialmente convocado para o universo corporativo em 2024, após uma vida inteira dedicada à contemplação, aos livros e aos cochilos estratégicos.
Mas não se engane, a história de Nietzsche não começa com crachá, nem com reuniões. Ela começa com uma gaiolinha.
“Se ela não tivesse me visto, talvez hoje eu estivesse dobrando camisetas na José Paulino”
PetBR: Nietzsche, vamos começar do começo. Como nasce a lenda?
Nietzsche:
“Na verdade, eu só comecei a trabalhar recentemente. O PetBR foi fundado pelo meu primo canino, o saudoso Negão. Em 2024, quando o José Roberto, idealizador e administrador do site, faleceu, minha humana passou a colaborar com o portal… e eu fui oficialmente convocado. Aposentadoria cancelada.”
Nietzsche nasceu em novembro de 2005, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, uma região que, segundo ele, tem uma “alta densidade felina” e também um forte potencial para grandes histórias.
“Minha humana ainda cursava Jornalismo e estagiava por lá. Eu, um legítimo Gato Dinamarquês, descendente direto dos Antibes, praticamente de raça (segundo eu mesmo), estava disponível para adoção em uma gaiolinha de pet shop.”
Foi amor à primeira vista. Com trilha sonora. E, como o próprio Nietzsche faz questão de registrar, com potencial dramático digno de novela das seis.
“Ela sonhava com outro gato laranja. Mas eu era irresistível.”
Um gato analógico, criado entre livros e irmãos
Nietzsche se define como um gato analógico. E isso significa uma coisa importante: não há registros oficiais do dia da adoção.
“Na minha época, celulares não tiravam fotos, então não há registros oficiais. Eu cabia na palma da mão, parecia mais um pintinho do que um gato, mal conseguia comer ração, ainda devia estar mamando.”
Mas se faltaram fotos, sobraram livros. Ele cresceu cercado de leitura e, como todo gato com vocação filosófica, aprendeu cedo a dominar a arte de cochilar sobre páginas importantes.
“Nunca fui filho único. O Sistema de Distribuição Felina nunca falha. Sempre tive irmãos para dividir a rotina, por um tempo, éramos seis.”
De filhote minúsculo, virou um gatão filósofo, nomeado em homenagem ao seu antepassado intelectual, Friedrich Nietzsche, e desenvolveu o hábito que se tornaria seu principal diferencial corporativo anos depois: dormir com excelência.
“Desenvolvi o hábito de cochilar sobre boas leituras. Atividade altamente produtiva, recomendo.”
Segredos de beleza e longevidade: genética, disciplina e zero pagode no telhado
PetBR: Todo mundo quer saber: como se mantém lindo e saudável aos 20 anos?
Nietzsche:
“Primeiro: genética privilegiada, segundo a humana. Meus irmãos receberam os mesmos cuidados, mas nenhum alcançou minha longevidade. Sou praticamente um estudo de caso.”
Mas, para Nietzsche, o verdadeiro segredo não é só sorte, é estratégia.
“Zero acesso à rua. Absolutamente doméstico. Nada de voltinhas clandestinas, pagode no telhado ou after na laje.”
Ele foi castrado por volta de um ano de idade, sempre vacinado e acompanhado regularmente. E boa parte da sua trajetória clínica foi acompanhada pelo Dr. Dante, do Hospital Foccus.
“Quando vou lá, parece reunião da Velha Guarda: cheio de veteranos, inclusive o Dimdim. Gatos laranjas são trabalhadores natos!”
O ano em que tudo mudou: AVC e o “combo sênior deluxe”
Janeiro de 2023 foi um ponto de virada.
“Tive um AVC. A humana agiu rápido e a Dra. Sthefany, que na época atendia na Anclivepa (hoje atende na VetWill), foi certeira no diagnóstico. Entre nós, ela se apaixonou por mim. Compreensível.”
A partir daí, vieram os diagnósticos que muitos tutores conhecem bem quando o gato entra na fase sênior:
“Descobrimos o combo sênior deluxe: Doença Renal Crônica, hipertensão e outras delicadezas da maturidade felina.”
O que poderia virar uma história triste virou um plano de ação. Um protocolo completo, com foco em qualidade de vida.
Ração renal, medicação para pressão, fluidoterapia, suplementos articulares e cognitivos, exames frequentes e consultas com especialistas, incluindo neurologista, oftalmologista e ortopedista.
“Participei inclusive de teses acadêmicas da Dra. Sthefany. De paciente, virei praticamente pesquisador associado.”
Monitoramento, não invasão: o lema é qualidade de vida
Entre os exames mais frequentes de Nietzsche estão hemograma, função renal, aferição de pressão e ultrassom.
“O ultrassom faço com o Dr. Gabriel, no NewVet, que já conhece meu avesso melhor do que eu.”
No ano passado, o Dr. Gabriel identificou linfonodos intestinais aumentados. A decisão foi tomada com calma, prós e contras na mesa, e o caminho escolhido foi o monitoramento.
“Nada invasivo. Aqui o lema é qualidade de vida.”
E, como se não bastasse, veio também uma crise de coluna. A solução envolveu acupuntura semanal com a Dra. Fran, fisioterapia com alta conquistada e uma rampa exclusiva para subir na cama.
“Aprendi a usar em tempo recorde. Sou idoso, não incapaz.”
Homeopatia, acupuntura e adaptação: quando o cuidado vira estilo de vida
Como gato renal, Nietzsche não pode usar certos medicamentos convencionais. E, dentro do que funciona para ele, a homeopatia entrou como aliada, prescrita pelas veterinárias da ONG Canto da Terra.
O resultado, segundo o próprio CEO, é um resumo simples:
“Acompanhamento constante, decisões ponderadas e foco absoluto em bem-estar.”
Alimentação: um capítulo à parte, com sindicato e camarões
Nietzsche sempre comeu ração de qualidade, adequada a cada fase da vida, além de sachê, frango e petiscos. Também tem uma fonte de barro favorita e tigelas de água estrategicamente espalhadas.
Mas a rotina alimentar ganhou um novo desafio quando chegou o Estagigato.
“No ano passado chegou o Estagigato. Jovem, estagiário, metabolismo acelerado. Eu decretei: ou como a mesma comida que ele, ou não como.”
E foi aí que o CEO mostrou que, além de filósofo, também entende de negociação trabalhista.
“No início deste ano, fiz uma breve Greve de Fome. A humana entrou em pânico achando que era progressão da DRC. Era estratégia sindical.”
O resultado foi um upgrade imediato no cardápio.
“Hoje consumo sachê sabor caro, inclusive um com camarões, e só aceito ração para paladar exigente. Trabalho no corporativo, tenho altos padrões de qualidade.”
Rotina de um gato 20+: acordar às 5h, presunto e fofoca na janela
Nietzsche acorda a humana pontualmente às 5h. O despertador interno nunca falha.
“Humanos dormem demais e meu dejejum não pode atrasar.”
Depois, ele cochila aguardando o café do humano substituto, que sempre oferece uma lasquinha de presunto.
“Networking é tudo.”
No PetBR, ele é responsável pela revisão dos anúncios e alterna seu posto no Dorme Office entre:
- janela ensolarada
- sofá estratégico
- cadeira da humana, preferencial
Além disso, supervisiona o Estagigato, que ainda não entendeu o conceito de produtividade felina.
“Sou conhecido na redação como o Rei do Atestado. Porém, como também sou o chefe, ninguém ousa questionar.”
Filosofia final: cuidado em excesso, sempre
Nietzsche não promete recordes, mas garante que seus 20 anos são bem vividos.
“Tenho um envelhecimento saudável, com acompanhamento constante e decisões focadas na qualidade de vida, não em medidas invasivas.”
E deixa uma mensagem direta para tutores, especialmente de gatos:
“Prefira sempre o excesso de cuidado. Qualquer alteração de comportamento deve ser avaliada por um médico veterinário de confiança. Nós, gatos, somos mestres em mascarar sintomas.”
Ele lembra que, na natureza, demonstrar fraqueza significava virar alvo. Por isso, acompanhamento regular não elimina emergências, mas permite diagnósticos precoces e aumenta significativamente as chances de uma vida longa e saudável.
Nietzsche segue firme: filosofando, revisando anúncios, treinando o Estagigato e aproveitando um dia de cada vez.
Com muitos cuidados.
E ronrons corporativos.
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