Mitos e Verdades sobre Gatos: 10 equívocos que a ciência derruba
Do gato preto que daria azar ao leite no pratinho, veja o que é mito e o que é ciência sobre os felinos mais comuns nos lares do Brasil em 2026 também
No Dia Mundial do Gato, celebrado em 17 de fevereiro, a discussão sobre bem estar e informação de qualidade ganha ainda mais relevância. Em meio a crenças populares repetidas por gerações, a ciência do comportamento animal e a medicina veterinária já responderam muitas dúvidas sobre os felinos. A seguir, veja dez mitos bastante difundidos e o que realmente se sabe hoje sobre eles.
1. Gato preto dá azar
Mito. A associação entre gatos pretos e azar tem raízes históricas, especialmente na Europa medieval, quando esses animais foram ligados a perseguições religiosas e superstições. A ideia atravessou séculos e chegou ao imaginário popular contemporâneo, reforçada por produções culturais e datas como o Halloween. Do ponto de vista biológico, porém, a cor da pelagem é apenas resultado de variações genéticas relacionadas à produção de melanina. Não há qualquer evidência científica de que gatos pretos tenham comportamento diferente, tragam sorte ou azar, ou apresentem características distintas em saúde. Em algumas culturas, inclusive, são vistos como símbolo de proteção e prosperidade. O estigma, portanto, é social e histórico, não científico.
2. Gatos têm sete ou nove vidas
Mito. A ideia de múltiplas vidas provavelmente surgiu da combinação entre misticismo antigo e a impressionante capacidade física dos gatos de sobreviver a quedas e acidentes. Felinos possuem grande flexibilidade corporal, reflexos rápidos e uma estrutura óssea adaptada a saltos, o que pode dar a impressão de invulnerabilidade. Ainda assim, são suscetíveis a traumas, infecções, doenças crônicas e envelhecimento como qualquer outro mamífero. A crença pode ser perigosa quando leva tutores a subestimar riscos ambientais. Segurança doméstica, vacinação, alimentação adequada e acompanhamento veterinário continuam sendo essenciais para garantir longevidade real, não simbólica.
3. Gatos sempre caem de pé
Verdade (parcial). Gatos possuem o chamado reflexo de endireitamento, que começa a se desenvolver ainda filhotes. Esse mecanismo envolve o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, e permite que o animal gire o corpo no ar para posicionar as patas antes da aterrissagem. No entanto, o sucesso dessa manobra depende de tempo e altura suficientes para a rotação. Quedas muito baixas podem não permitir o ajuste completo, enquanto quedas muito altas podem resultar em fraturas, lesões internas e traumatismos. A chamada síndrome do gato paraquedista é conhecida na medicina veterinária, especialmente em centros urbanos. Por isso, redes de proteção em janelas e varandas são medidas indispensáveis.
- Instale telas de proteção em apartamentos e casas com janelas elevadas.
- Evite acesso irrestrito à rua, reduzindo riscos de atropelamento e quedas.
4. Gatos enxergam no escuro
Verdade (parcial). Gatos não enxergam na ausência total de luz, mas possuem visão muito superior à humana em ambientes com baixa luminosidade. Isso ocorre porque apresentam maior concentração de bastonetes na retina, células sensíveis à luz, além do tapetum lucidum, estrutura que reflete a luz dentro do olho e aumenta sua eficiência. Essa adaptação é resultado da evolução como predadores crepusculares. Em contrapartida, a percepção de cores é mais limitada que a humana, e a nitidez a longas distâncias também é inferior. O campo de visão, porém, é mais amplo, favorecendo a detecção de movimentos rápidos.
5. Gatos são independentes e não precisam de atenção
Mito. Embora sejam mais autônomos em comparação aos cães em alguns aspectos comportamentais, gatos necessitam de estímulo físico e mental. Enriquecimento ambiental, interação social, previsibilidade na rotina e brincadeiras diárias são fundamentais para prevenir estresse e distúrbios comportamentais. Estudos recentes indicam que gatos podem desenvolver ansiedade de separação e demonstrar sinais claros de frustração quando negligenciados. A independência está relacionada à forma de interação, não à ausência de necessidade emocional.
6. Gatos odeiam água
Verdade (parcial). A maioria dos gatos domésticos evita água, principalmente porque sua pelagem não é adaptada para secagem rápida, o que compromete conforto térmico e mobilidade. Além disso, o odor corporal tem função importante na comunicação felina, e a água pode alterar esse cheiro. No entanto, existem exceções individuais e até raças mais tolerantes ao contato com água. Muitos gatos demonstram curiosidade por água corrente, como torneiras e fontes, possivelmente por associarem movimento a frescor e segurança.
7. Leite faz bem para gatos
Mito. A maioria dos gatos adultos apresenta redução na produção de lactase após o desmame, enzima responsável por digerir lactose. O consumo de leite comum pode causar diarreia, gases e desconforto abdominal. A imagem clássica do gato bebendo leite se consolidou culturalmente, mas não corresponde às recomendações veterinárias atuais. A hidratação ideal é feita com água fresca e limpa, podendo ser complementada por alimentação úmida. Produtos sem lactose específicos para gatos podem ser oferecidos ocasionalmente, mas não substituem água.
8. Gatos são traiçoeiros
Mito. O comportamento considerado traiçoeiro geralmente decorre de interpretação humana equivocada. Gatos estabelecem limites claros e utilizam sinais corporais para indicar desconforto, como movimento de cauda, posição das orelhas e tensão muscular. Quando esses sinais são ignorados, podem reagir com arranhões ou mordidas defensivas. Isso não caracteriza falsidade, mas comunicação. Ao contrário dos cães, os gatos não foram selecionados historicamente para obediência constante, mantendo maior autonomia comportamental.
9. Ronronar sempre significa felicidade
Verdade (parcial). O ronronar está frequentemente associado a conforto e relaxamento, mas também pode ocorrer em situações de dor, medo ou estresse. Pesquisas indicam que a vibração sonora produzida pelo ronronar pode ter efeito calmante e auxiliar na autorregulação fisiológica. Por isso, a interpretação correta depende da observação do contexto e da linguagem corporal do animal.
10. Gatos não criam vínculo com humanos
Mito. Estudos de comportamento comparável ao apego infantil demonstram que gatos formam laços seguros com seus tutores. Eles reconhecem voz, cheiro e rotina, buscam proximidade em situações de estresse e apresentam sinais de apego quando separados por longos períodos. A diferença está na forma de expressão, mais sutil e menos expansiva que a observada em cães. O vínculo existe, mas se manifesta por meio de comportamentos como piscar lento, esfregar a cabeça, seguir pela casa e escolher dormir próximo ao tutor.
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