Audiência sobre extradição de Carla Zambelli é suspensa e será retomada amanhã
A Justiça italiana interrompeu a audiência sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, que está presa na Itália desde julho.
A audiência da Corte de Apelação de Roma, que visa decidir sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, foi suspensa nesta quarta-feira (11) após cerca de cinco horas de discussões. A expectativa é que os trabalhos sejam retomados nesta quinta-feira (12).
Durante a sessão, o procurador Erminio Amelio e o advogado de defesa Pieremilio Sammarco apresentaram suas considerações. A interrupção ocorreu devido à falta de tempo para concluir as deliberações. Amanhã, a defesa contará com a participação de Angelo Sammarco e Alessandro Gentiloni, representante da Advocacia-Geral da União (AGU) do Brasil.
A audiência, que teve início às 7h (horário de Brasília), foi realizada a portas fechadas. Zambelli, que chegou ao tribunal acompanhada por uma policial, demonstrou nervosismo ao entrar, e seu marido, coronel Aguinaldo, não pôde acompanhá-la durante o processo.
O procurador Amelio afirmou que “estão tentando instrumentalizar politicamente o processo”, referindo-se a tentativas de influenciar a decisão judicial. Ele também comentou sobre a interrogação parlamentar que questiona se o ministro da Justiça brasileiro irá extraditar Zambelli.
Atualmente, Zambelli está presa na Penitenciária Feminina de Rebibbia, na Itália, desde julho de 2025. Sua detenção se deu após um pedido de prisão preventiva emitido pela Justiça brasileira, e o processo de extradição enfrenta um trâmite jurídico prolongado. A defesa argumenta que o sistema prisional brasileiro não oferece garantias adequadas aos direitos humanos da ex-deputada.
Em resposta, a corte italiana solicitou esclarecimentos ao governo brasileiro sobre as condições de custódia. O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil enviou um relatório detalhado, assegurando que Zambelli cumprirá sua pena no Presídio Feminino de Brasília, conhecido como "Colmeia". As garantias apresentadas foram consideradas suficientes pelos magistrados, que rejeitaram os argumentos da defesa.
Os advogados de Zambelli têm utilizado recursos e estratégias processuais para postergar as audiências, com o objetivo de mantê-la o maior tempo possível em solo italiano, reduzindo assim o cumprimento de sua pena no Brasil.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou Zambelli em dois processos, ambos com trânsito em julgado, o que torna imediato o início do cumprimento da pena. As condenações incluem: dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça e cinco anos e três meses por portar uma arma e perseguir um homem em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.
Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro, após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votar pela cassação de seu cargo. O plenário da Câmara decidiu manter o mandato, mas o STF anulou a sessão, levando Zambelli a apresentar sua carta de renúncia.
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