Flávio Dino arquiva inquérito contra senador flagrado com dinheiro na cueca
Ministro do STF acolhe pedido da PGR e encerra investigação sobre Chico Rodrigues, mas caso segue na Justiça de Roraima.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu arquivar o inquérito que investigava o senador Chico Rodrigues, do PSB de Roraima, flagrado em 2020 com dinheiro em espécie escondido na cueca durante uma operação da Polícia Federal. A decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluir que não havia indícios suficientes para dar continuidade ao processo.
A investigação teve início em 2020, no contexto da Operação Desvid-19, que apurava suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos federais destinados ao enfrentamento da pandemia de covid-19. Durante as apurações, a Polícia Federal encontrou mais de R$ 30 mil na residência do senador, incluindo o montante escondido em sua cueca, o que gerou ampla repercussão na mídia nacional.
De acordo com a PGR, as investigações não conseguiram comprovar que Chico Rodrigues tentou ocultar valores de forma criminosa ou obstruir o trabalho da polícia. Em janeiro de 2023, a PGR formalizou um pedido de arquivamento, alegando a falta de “indícios mínimos” para justificar a continuidade do inquérito.
Ao acatar o pedido da PGR, Flávio Dino afirmou que o ato de esconder dinheiro na cueca não configurou, por si só, uma tentativa de obstrução das investigações. No entanto, o ministro determinou que os autos do processo sejam enviados à Justiça Federal em Roraima para que sejam analisados possíveis desdobramentos do caso, especialmente em relação a outros envolvidos.
A decisão de arquivamento no STF não encerra completamente a questão, uma vez que a Justiça Federal poderá avaliar se há novos fatos que justifiquem investigações adicionais. A PGR havia solicitado que o restante do caso, que envolve empresários e servidores estaduais, fosse tratado na Justiça de Roraima, já que esses indivíduos não possuem foro privilegiado.
O caso do “dinheiro na cueca” intensificou o debate sobre a fiscalização do uso de recursos públicos durante a emergência sanitária e levantou questões sobre a conduta de parlamentares em relação à transparência e à ética no uso de verbas federais.
Chico Rodrigues, que na época do episódio exercia a função de vice-líder do governo no Senado, se afastou temporariamente do cargo entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021. Após o retorno, ele continuou a responder às investigações enquanto mantinha seu mandato.
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