Alysson Mascaro, professor da Faculdade de Direito, foi desligado após investigações sobre assédio sexual e moral; ele nega as acusações.
11 de Fevereiro de 2026 às 18h40

USP confirma demissão de professor acusado de assédio a alunos ao longo de 18 anos

Alysson Mascaro, professor da Faculdade de Direito, foi desligado após investigações sobre assédio sexual e moral; ele nega as acusações.

A Universidade de São Paulo (USP) oficializou nesta quarta-feira, 11, a demissão do professor Alysson Leandro Barbate Mascaro, acusado de assediar sexualmente e moralmente dez alunos entre 2006 e 2024. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e permite que Mascaro recorra da medida em até 30 dias.

O desligamento do professor da Faculdade de Direito ocorreu após um processo interno que se iniciou em dezembro de 2024, quando a universidade decidiu afastá-lo em função das denúncias que surgiram. Desde então, Mascaro estava fora de suas funções na instituição. À época, ele negou as acusações, que foram formalizadas por meio de uma representação do Centro Acadêmico XI de Agosto, em resposta a uma reportagem que revelou os supostos abusos.

Mascaro, que era professor associado e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito, é autor de obras reconhecidas na área, como Crise e Golpe e Filosofia do Direito. As denúncias contra ele incluem relatos de assédio moral e sexual, com ex-alunos afirmando que o professor tinha o hábito de convidá-los para sua casa sob a promessa de orientação acadêmica, mas que esses encontros frequentemente se tornavam situações desconfortáveis.

Um ex-aluno, que preferiu não ser identificado, relatou que durante uma visita à casa de Mascaro, o professor fez um gesto inapropriado, o que o deixou bastante incomodado. “Ele não tratava praticamente nada acadêmico na faculdade”, comentou o estudante, que também mencionou episódios de assédio moral em grupos de pesquisa comandados pelo docente.

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A investigação interna da USP foi conduzida por uma comissão que teve um prazo inicial de 90 dias, que foi prorrogado diversas vezes. O diretor da Faculdade de Direito, em um documento oficial, destacou que havia “fortes indícios de materialidade dos fatos”, levando ao afastamento cautelar do professor.

A defesa de Mascaro, que é representada pela advogada Fabiana Marques, contestou as acusações, alegando que perfis falsos nas redes sociais foram criados para difamá-lo. Em nota, a defesa afirmou que as denúncias não possuem materialidade e que a sindicância foi marcada por “violações graves e estruturais”.

O caso gerou repercussão significativa, especialmente considerando que Mascaro foi orientador de Silvio Almeida, ex-ministro de Direitos Humanos, que também enfrentou acusações de assédio. Almeida, que se afastou do cargo em setembro de 2023, sempre reconheceu a influência de Mascaro em sua formação acadêmica.

Após a demissão, a Faculdade de Direito da USP não se manifestou sobre o caso. O professor poderá recorrer da decisão, mas a universidade já tomou medidas para afastá-lo definitivamente de suas funções. A sindicância interna, que apurou as denúncias, concluiu que os relatos eram consistentes e que o comportamento de Mascaro gerava um ambiente hostil para os alunos.

O caso de Alysson Mascaro é um dos mais debatidos na comunidade acadêmica, levantando questões sobre a responsabilidade das instituições de ensino em proteger seus alunos e a necessidade de um ambiente seguro para a educação. A situação reflete um momento crítico de discussão sobre assédio dentro das universidades brasileiras.

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