Justiça do Rio decreta prisão preventiva de argentina acusada de racismo em bar
Agostina Paez, advogada argentina, teve passaporte retido e pode enfrentar pena de até cinco anos de reclusão.
A Justiça do Rio de Janeiro acatou, nesta quinta-feira (5), a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e decretou a prisão preventiva de Agostina Paez, uma advogada argentina de 29 anos, acusada de injúria racial contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul da cidade. A decisão proíbe a turista de deixar o Brasil e determina o uso de tornozeleira eletrônica, além da apreensão de seu passaporte.
O caso ocorreu em 14 de janeiro, quando Paez, insatisfeita com a cobrança da conta, proferiu ofensas racistas a um dos funcionários do bar, referindo-se a ele de maneira depreciativa como “negro”. Testemunhas relataram que, em seguida, ela chamou a funcionária da caixa de “mono”, que em espanhol significa “macaco”, e imitou gestos do animal, o que gerou indignação entre os presentes.
De acordo com informações do MPRJ, a denúncia foi aceita com base em depoimentos das vítimas, imagens de câmeras de segurança do local e vídeos feitos por outros frequentadores. O documento destaca que há indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, o que justifica a prisão preventiva da acusada.
A decisão da Justiça ressalta que a liberdade de Paez poderia intimidar testemunhas e vítimas, além de possibilitar sua fuga para a Argentina, o que prejudicaria a busca pela verdade dos fatos. O crime de injúria racial, conforme o artigo 2º-A da Lei nº 7.716/89, prevê pena de reclusão de dois a cinco anos.
Após o incidente, Paez prestou depoimento à polícia três dias depois do ocorrido, momento em que teve seu passaporte apreendido. Em sua defesa, a advogada alegou que seus gestos eram “brincadeiras” dirigidas às amigas e que não tinha conhecimento de que sua conduta configurava crime no Brasil. Contudo, o MPRJ rejeitou essa justificativa, apontando que uma de suas acompanhantes tentou contê-la durante a ofensa, indicando que ela tinha plena consciência do caráter ofensivo de suas ações.
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com imagens do incidente sendo compartilhadas amplamente. A Polícia Civil ainda não informou quando cumprirá o mandado de prisão expedido pela Justiça, mas o caso segue sob sigilo.
Agostina Paez é filha de Mariano Paez, um empresário argentino do setor de transportes, que também enfrentou problemas legais no passado, incluindo um mês de prisão por violência de gênero. Essa conexão familiar trouxe ainda mais atenção ao caso, levantando discussões sobre a responsabilidade e o comportamento de figuras públicas.
O episódio em Ipanema não apenas expôs a gravidade do racismo, mas também destacou a necessidade de um debate contínuo sobre a discriminação e as consequências legais que ela acarreta. A sociedade aguarda ansiosamente os desdobramentos deste caso, que poderá servir de exemplo para futuras ocorrências semelhantes.
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