Juiz argentino determina que Maduro deve testemunhar em caso de violações de direitos humanos.
04 de Fevereiro de 2026 às 17h08

Argentina solicita extradição de Nicolás Maduro dos Estados Unidos por crimes contra a humanidade

Juiz argentino determina que Maduro deve testemunhar em caso de violações de direitos humanos.

BUENOS AIRES, 4 de fevereiro — A Justiça Federal da Argentina formalizou um pedido de extradição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aos Estados Unidos. A solicitação foi assinada pelo juiz federal Sebastián Ramos, que alegou a necessidade de que Maduro testemunhe em um caso relacionado a crimes contra a humanidade.

O pedido de extradição se baseia em uma investigação aberta na Argentina, que apura denúncias de violações de direitos humanos atribuídas ao governo venezuelano. Em setembro de 2024, um tribunal argentino já havia emitido um mandado de prisão contra Maduro, após uma reclamação apresentada por uma organização não governamental.

As acusações contra Maduro incluem um “plano sistemático de repressão” que, segundo os denunciantes, se instaurou na Venezuela desde 2014. Os relatos apontam para casos de desaparecimentos forçados, tortura e assassinatos de cidadãos. A denúncia foi apoiada por familiares de vítimas e por organizações internacionais de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

Na decisão, o juiz Ramos invocou o princípio da “jurisdição universal”, que permite que crimes contra a humanidade sejam investigados e julgados em qualquer país, independentemente de onde tenham sido cometidos. Essa abordagem é fundamental para garantir que líderes acusados de graves violações não escapem à justiça.

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Atualmente, Maduro encontra-se detido em um centro de detenção em Nova York, onde aguarda julgamento. Ele foi capturado em uma operação militar norte-americana em Caracas, no início de janeiro de 2026. Desde então, o governo argentino tem pressionado para que ele seja extraditado, a fim de que possa responder pelas acusações em seu país natal.

O caso de Nicolás Maduro é emblemático da luta contra a impunidade na América Latina, onde muitos líderes políticos têm sido acusados de abusos de poder e violações de direitos humanos. A solicitação de extradição representa um passo significativo na busca por justiça para as vítimas de seu governo.

Além de Maduro, a Justiça argentina também busca responsabilizar outros membros do governo venezuelano, com base nas mesmas alegações de crimes contra a humanidade. O pedido de extradição é parte de um esforço mais amplo para garantir que os responsáveis por essas violações sejam levados à justiça.

As repercussões desse caso podem ser sentidas em todo o continente, uma vez que a Argentina se posiciona como um líder na defesa dos direitos humanos e na luta contra a impunidade. A decisão de solicitar a extradição de Maduro é vista como um sinal de que a Justiça argentina está disposta a enfrentar os desafios impostos por regimes autoritários.

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