Ministra dos Esportes afirma que discordâncias políticas devem ser tratadas em outro âmbito
04 de Fevereiro de 2026 às 17h18

Governo da Alemanha descarta boicote à Copa do Mundo de 2026 nos EUA

Ministra dos Esportes afirma que discordâncias políticas devem ser tratadas em outro âmbito

O governo da Alemanha anunciou, nesta quarta-feira (4), que não apoiará um boicote à Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. A declaração foi feita após discussões sobre a possibilidade de um boicote em resposta às políticas do presidente americano Donald Trump, especialmente em momentos de tensão entre os dois países.

O porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, afirmou que “os conflitos políticos devem ser travados no campo político e o esporte deve permanecer esporte”. Essa afirmação reflete a posição do governo de que o esporte não deve ser utilizado como uma ferramenta para expressar descontentamento político.

A ministra dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein, também se manifestou sobre o assunto, enfatizando que Berlim “não apoia” a ideia de um boicote, pois acredita que “o esporte não deve ser usado para fins políticos”. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, Schenderlein destacou que a Copa do Mundo ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho e que a seleção alemã, tetracampeã mundial, tem uma longa história de participação no torneio, competindo desde 1954.

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Em janeiro, durante um período de intensas tensões entre a Europa e Washington, especialmente em relação à intenção de Trump de anexar a Groenlândia e a imposição de tarifas a países europeus, a ministra não descartou a possibilidade de um boicote. Naquela ocasião, ela afirmou que “o governo federal respeita a autonomia do esporte” e que a decisão sobre a participação da seleção alemã caberia às federações esportivas, e não ao governo.

Os pedidos de boicote à Copa do Mundo surgiram inicialmente em resposta às tensões em torno da Groenlândia e, posteriormente, às políticas anti-imigração do governo dos EUA. A situação se agravou após a morte de dois manifestantes em Minneapolis durante operações de agentes federais, o que gerou protestos e críticas à abordagem do governo americano em relação à imigração.

Recentemente, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, reiterou um apelo para que as pessoas “evitassem os Estados Unidos”, em uma declaração que ecoou as preocupações de vários eurodeputados. De acordo com a revista alemã Spiegel, esses eurodeputados de esquerda escreveram à UEFA pedindo que considerasse possíveis sanções, incluindo um boicote, devido às “medidas políticas” e à “retórica” de Trump.

Na última segunda-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, expressou sua oposição a boicotes, afirmando que tais ações “simplesmente contribuem para mais ódio”. Infantino defendeu que o esporte deve ser um espaço de união e não de divisão.

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