CEO da Meta é questionado sobre o vício em redes sociais e seus efeitos em jovens usuários
18 de Fevereiro de 2026 às 14h09

Mark Zuckerberg depõe em julgamento sobre o impacto das redes sociais na saúde mental

CEO da Meta é questionado sobre o vício em redes sociais e seus efeitos em jovens usuários

O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, está prestes a ser interrogado pela primeira vez em um tribunal dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (18), no contexto de um julgamento que promete ser histórico. O caso, que ocorre em Los Angeles, investiga os efeitos do Instagram na saúde mental de jovens, em meio a alegações de que as redes sociais têm contribuído para o vício entre adolescentes.

Embora Zuckerberg já tenha abordado questões relacionadas ao impacto das redes sociais em audiências no Congresso americano, o cenário do tribunal apresenta riscos significativamente maiores. A Meta poderá ser responsabilizada financeiramente se perder o caso, o que pode enfraquecer a defesa jurídica das gigantes da tecnologia diante de acusações de danos aos usuários.

O processo é parte de uma reação global crescente contra plataformas digitais, que são acusadas de prejudicar a saúde mental de crianças e adolescentes. Países como Austrália e Espanha já implementaram restrições ao acesso de menores de 16 anos às redes sociais, enquanto outros, como a Flórida, nos EUA, proibiram o uso por jovens com menos de 14 anos, gerando contestações legais por parte de empresas do setor.

A ação foi movida por uma mulher da Califórnia, que começou a utilizar o Instagram e o YouTube na infância. Ela alega que as empresas visaram o lucro ao incentivar o uso contínuo de suas plataformas, mesmo cientes dos potenciais danos à saúde mental. Segundo a autora, os aplicativos contribuíram para o desenvolvimento de depressão e pensamentos suicidas, e ela busca responsabilizar as empresas.

As companhias envolvidas negam as acusações, afirmando que têm trabalhado para implementar ferramentas de proteção aos usuários. A Meta, por exemplo, cita um estudo das Academias Nacionais de Ciências que, segundo a empresa, não encontrou evidências de que as redes sociais impactem negativamente a saúde mental de crianças.

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Este caso é considerado um teste para uma série de ações semelhantes que estão sendo movidas nos Estados Unidos contra empresas como Alphabet, Snap e TikTok. Famílias, distritos escolares e estados têm processado essas plataformas, acusando-as de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens.

Durante o julgamento, Zuckerberg será questionado sobre estudos e discussões internas na Meta acerca do impacto do Instagram na vida dos adolescentes. Na semana passada, Adam Mosseri, chefe do Instagram, declarou que desconhecia um estudo recente da empresa que não encontrou relação entre a supervisão dos pais e o controle que os jovens têm sobre o uso das redes sociais.

O advogado da Meta argumentou que os registros médicos da autora do processo indicam que seus problemas de saúde têm origem em uma infância conturbada, e que as redes sociais serviram como um espaço de expressão criativa para ela.

O julgamento, que se estenderá até o final de março, poderá estabelecer um precedente legal importante para futuras ações judiciais, caso os jurados decidam que as empresas têm responsabilidade não apenas pelo conteúdo gerado pelos usuários, mas também pelo design e algoritmos de suas plataformas.

Além disso, a Meta enfrenta outros desafios legais, incluindo um julgamento no Novo México, onde é acusada de priorizar o lucro em detrimento da proteção de crianças contra abusos.

O debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens não se restringe aos Estados Unidos. Na Europa, diversas nações estão considerando legislações semelhantes para restringir o acesso de menores às plataformas digitais, refletindo uma preocupação global sobre o tema.

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