Banco Central liquida Banco Pleno, elevando impacto financeiro sobre o Fundo Garantidor de Crédito.
18 de Fevereiro de 2026 às 15h29

Liquidações de bancos ligados ao Master causam rombo de R$ 52 bilhões no FGC

Banco Central liquida Banco Pleno, elevando impacto financeiro sobre o Fundo Garantidor de Crédito.

A série de liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central (BC) desde novembro de 2025 já causou um impacto significativo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), totalizando cerca de R$ 52 bilhões. O valor mais expressivo, de R$ 40,6 bilhões, refere-se ao Banco Master, seguido pelo Will Bank, que representa R$ 6,3 bilhões, e agora o Banco Pleno, que foi liquidado recentemente, com um montante de R$ 4,9 bilhões.

A liquidação do Banco Pleno ocorreu em 18 de fevereiro de 2026, três meses após a operação de liquidação do Banco Master, que envolveu um esquema de títulos falsos. O Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, foi vendido ao empresário baiano Augusto Ferreira Lima, que também teve vínculos com o Banco Master.

O BC já havia iniciado a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025, após a identificação de irregularidades. Desde então, o número total de instituições financeiras ligadas ao caso Master que passaram por liquidação extrajudicial chegou a oito. Essa situação levanta preocupações sobre a solidez do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Os clientes do Banco Master que têm garantias cobertas pelo FGC já começaram a receber os valores devidos. No caso do Will Bank, os pagamentos foram iniciados de forma parcial, enquanto os clientes do Banco Pleno aguardam a liberação dos valores, que depende da conclusão do levantamento de dados pelo liquidante.

O liquidante é uma figura designada pelo Banco Central, responsável por realizar o inventário dos ativos e passivos da instituição financeira em liquidação. É ele quem encaminha a lista de credores e os valores a serem ressarcidos pelo FGC.

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O FGC atua como uma espécie de seguro para os depositantes do Sistema Financeiro Nacional, garantindo o ressarcimento em caso de liquidação de bancos, com um limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Contudo, há um limite total de R$ 1 milhão que pode ser pago dentro de um período de quatro anos.

Com o aumento das retiradas, o FGC precisou implementar uma reestruturação financeira. Um plano emergencial foi aprovado, que inclui a antecipação de contribuições futuras dos bancos associados, divididas em parcelas mensais. Essa medida visa recompor o caixa do fundo após o impacto financeiro das liquidações.

O Banco Central, por meio de seu presidente, Gabriel Galípolo, comentou sobre a situação, enfatizando a necessidade de proteger as instituições enquanto se responsabiliza aqueles que tomaram decisões inadequadas. Ele destacou que a atuação do BC foi fundamental para mitigar o prejuízo no FGC, que poderia ser ainda maior sem a intervenção oportuna.

Os investidores prejudicados pelas liquidações devem utilizar o aplicativo do FGC, que facilita o processo de solicitação de garantias de forma rápida e online. A ferramenta está disponível nas principais lojas de aplicativos e permitirá que os credores façam seu cadastro básico e solicitem o ressarcimento assim que os dados dos liquidantes forem disponibilizados.

O cenário atual reflete um momento delicado para o mercado financeiro brasileiro, com a necessidade de uma supervisão mais rigorosa e a implementação de medidas que assegurem a estabilidade do sistema.

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