Estudo revela que 19% dos adolescentes de 12 a 17 anos enfrentaram abusos facilitados pela tecnologia em um ano.
05 de Março de 2026 às 11h38

Cerca de 3 milhões de jovens no Brasil são vítimas de violência sexual online

Estudo revela que 19% dos adolescentes de 12 a 17 anos enfrentaram abusos facilitados pela tecnologia em um ano.

Um alarmante estudo realizado pelo Unicef Innocenti revela que aproximadamente 3 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, correspondendo a 19% da população de jovens entre 12 e 17 anos, foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia em um período de 12 meses. O relatório, intitulado Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, foi divulgado na última quarta-feira (4) e destaca a crescente preocupação com a segurança dos jovens no ambiente digital.

A pesquisa, que entrevistou 1.029 crianças e adolescentes, assim como seus pais ou responsáveis, foi realizada entre novembro de 2024 e março de 2025. Os dados apontam que as redes sociais e aplicativos de mensagens são frequentemente utilizados por agressores para aliciar e ameaçar suas vítimas. O estudo revela que 66% dos casos de violência ocorreram em canais online, com Instagram e WhatsApp se destacando como as plataformas mais citadas.

Entre os relatos, 14% dos jovens afirmaram ter sido expostos a conteúdo sexual não solicitado. Em 49% das situações, o agressor era alguém conhecido da vítima, o que torna ainda mais alarmante a necessidade de conscientização sobre os riscos que os jovens enfrentam, mesmo em interações que parecem seguras.

“Eu me senti como se estivesse presa àquilo, refém. Ele me dominou ao me mostrar seu corpo, como se já tivéssemos uma intimidade que não existia”, relatou uma jovem de 12 anos que sofreu abuso via Facebook.

O estudo também analisou o impacto da violência na saúde mental dos jovens, revelando que aqueles que sofreram abusos apresentam taxas de ansiedade 13 pontos percentuais superiores aos que não foram vítimas. Além disso, as crianças vitimizadas têm 5,4 vezes mais chances de praticar autolesão e 5 vezes mais chances de ter pensamentos ou tentativas de suicídio.

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Outro aspecto preocupante abordado no relatório é o uso de inteligência artificial na criação de conteúdo sexualizado. Cerca de 3% dos entrevistados relataram que alguém utilizou ferramentas de IA para produzir imagens ou vídeos de conteúdo sexual com suas aparências. Marium Saeed, especialista do Unicef, destacou que “as tecnologias digitais não estão necessariamente criando formas totalmente novas de violência, mas ampliam formas já existentes de exploração e abuso”.

O levantamento também aponta que 5% das crianças relataram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens ou vídeos de conteúdo sexual, e 3% relataram propostas para encontros presenciais com finalidade sexual.

O debate sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital ganhou destaque após a repercussão de casos de abuso e exploração nas redes sociais. Recentemente, o projeto de lei conhecido como ECA Digital foi sancionado, estabelecendo regras para proteger os jovens na internet, incluindo a exigência de mecanismos eficazes de verificação de idade e a remoção de conteúdos abusivos.

As recomendações do relatório enfatizam a responsabilidade compartilhada entre governo, famílias, escolas e plataformas digitais para prevenir a exploração e o abuso sexual infantil. A conscientização e a educação sobre consentimento e proteção digital são essenciais para garantir a segurança dos jovens no ambiente online.

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