Apagão atinge dois terços de Cuba, incluindo Havana, por falha na rede elétrica
Corte de energia afeta a maior parte do país, agravando a crise energética devido a infraestrutura precária e falta de combustíveis.
Um apagão de grandes proporções afetou nesta quarta-feira, 4, o oeste e o centro de Cuba, incluindo a capital, Havana, deixando cerca de dois terços da população sem eletricidade. A interrupção foi causada por uma falha na rede elétrica nacional, resultante do desligamento inesperado da usina termelétrica Antonio Guiteras, a maior do país, localizada na província de Matanzas, a cerca de 100 km da capital.
A União Nacional Elétrica (UNE), responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia na ilha, informou que a queda no sistema ocorreu devido a um problema na caldeira da usina. Este incidente se soma a uma série de cortes de fornecimento frequentes que têm afetado o país, resultado da precariedade da infraestrutura elétrica e da escassez de combustíveis.
Desde o final de 2024, Cuba, que possui uma população de aproximadamente 9,6 milhões de habitantes, tem enfrentado apagões generalizados. A situação se agrava em meio a uma crise energética que já se estende por três anos, exacerbada por um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962, que limita o acesso a recursos essenciais.
O governo cubano tem enfrentado dificuldades crescentes para garantir o fornecimento de energia, especialmente após a redução das remessas de petróleo da Venezuela, um dos principais aliados do país. A administração do ex-presidente Donald Trump intensificou as pressões sobre Caracas, resultando na interrupção do fluxo de petróleo para a ilha.
Além dos cortes de energia, a UNE também relatou que a interrupção no fornecimento elétrico causou problemas técnicos que afetaram os sinais de rádio e televisão em várias áreas do país. O Ministério de Minas e Energia anunciou que todos os protocolos de emergência foram ativados para tentar restabelecer o fornecimento de energia o mais rápido possível.
Em fevereiro, a região leste de Cuba, onde se localiza Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, também enfrentou um apagão devido a falhas na rede elétrica. A população tem lidado com cortes diários prolongados, que podem chegar a mais de 20 horas em algumas regiões, refletindo a fragilidade do sistema elétrico cubano.
As medidas de austeridade implementadas pelo governo, que incluem cortes de energia, têm gerado descontentamento entre a população. Recentemente, em Havana, o fornecimento foi interrompido por mais de 19 horas, com circuitos de emergência ainda desconectados. As equipes técnicas estão trabalhando para restabelecer o serviço, mas não há previsão de normalização completa.
Nos últimos dias, diversas empresas do setor privado em Cuba começaram a realizar importações de combustíveis, após a flexibilização das restrições por parte do governo dos Estados Unidos. Essa decisão, justificada como uma medida humanitária, permite que o setor privado adquira petróleo e derivados, desde que não sejam destinados a empresas estatais ou controladas pelos militares.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou recentemente sobre o risco de um colapso humanitário em Cuba, caso o país não consiga importar combustíveis suficientes para atender às necessidades básicas da população.
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