Aumento dos preços gera preocupações sobre a economia global e inflação
09 de Março de 2026 às 16h34

Preço do petróleo ultrapassa US$ 100 com intensificação da guerra no Irã e novo líder

Aumento dos preços gera preocupações sobre a economia global e inflação

Os preços do petróleo superaram a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em mais de três anos e meio, impulsionados pela guerra em curso no Irã, que tem dificultado a produção e o transporte de petróleo no Oriente Médio. O anúncio, realizado neste domingo (8), da escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do falecido Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã, também contribuiu para a escalada dos preços.

Na Bolsa Mercantil de Chicago, o preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, foi registrado a US$ 101,19, representando um aumento de 9,2% em relação ao fechamento anterior, que foi de US$ 92,69 na sexta-feira (6). O West Texas Intermediate (WTI), petróleo bruto leve e doce produzido nos Estados Unidos, estava sendo comercializado por cerca de US$ 107,20 o barril, com uma alta de 16,2% em relação ao preço de fechamento de US$ 90,90 na mesma sexta-feira.

Esses aumentos ocorreram após uma semana em que os preços do petróleo bruto dos EUA subiram 36% e os do Brent aumentaram 28%. A guerra, agora em sua segunda semana, envolveu países e locais críticos para a produção e o transporte de petróleo e gás no Golfo Pérsico, aumentando as tensões no mercado.

O Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto diariamente, ou aproximadamente 20% do petróleo mundial, tornou-se um ponto de preocupação. A ameaça de ataques com mísseis e drones iranianos tem dificultado a passagem de petroleiros, que transportam petróleo e gás de países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Além disso, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram forçados a reduzir sua produção de petróleo, uma vez que os tanques de armazenamento estão se enchendo devido à diminuição da capacidade de exportação. Desde o início do conflito, o Irã, Israel e os Estados Unidos têm atacado instalações de petróleo e gás, intensificando as preocupações sobre o abastecimento.

A última vez que os futuros do petróleo bruto dos EUA foram negociados acima de US$ 100 por barril foi em 30 de junho de 2022, quando o preço atingiu US$ 105,76. Para o Brent, o último pico foi em 29 de julho de 2022, com o preço de US$ 104 por barril.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

O aumento global dos preços do petróleo, especialmente após os ataques de Israel e EUA ao Irã em 1º de março, abalou os mercados financeiros, gerando preocupações de que os custos mais altos da energia possam alimentar a inflação e reduzir os gastos dos consumidores americanos, que são fundamentais para a economia.

Nos Estados Unidos, o preço do galão de gasolina comum subiu para US$ 3,45 no último domingo, um aumento de cerca de 47 centavos em comparação com a semana anterior, conforme dados do clube automotivo AAA. O preço do diesel também apresentou alta, sendo vendido a cerca de US$ 4,60 por galão, um aumento semanal de aproximadamente 83 centavos.

Embora o preço do gás natural também tenha subido, seu aumento foi menos acentuado, registrando uma alta de cerca de 11% na semana passada. Analistas e investidores alertam que, se os preços do petróleo continuarem a permanecer acima de US$ 100 por barril, isso poderá ser insustentável para a economia global.

No fim de semana, as forças armadas de Israel realizaram ataques a depósitos de petróleo em Teerã, além de atingir quatro navios-tanque e um terminal de transferência de petróleo.

Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, expressou preocupações sobre o impacto da guerra na indústria petrolífera, alertando que a produção e a venda de petróleo podem se tornar cada vez mais difíceis.

O Irã, que atualmente exporta cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia, principalmente para a China, pode enfrentar dificuldades em suas exportações caso a guerra continue, o que poderia resultar em um aumento adicional nos preços da energia.

Veja também:

Tópicos: