Após alerta do Itamaraty sobre possível ingerência nas eleições, Moraes reconsidera decisão anterior
13 de Março de 2026 às 17h16

Moraes proíbe visita de conselheiro de Trump a Jair Bolsonaro na prisão

Após alerta do Itamaraty sobre possível ingerência nas eleições, Moraes reconsidera decisão anterior

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltou atrás em sua decisão e proibiu a visita de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra detido. A visita estava agendada para ocorrer no dia 18 de março, mas foi barrada após o Ministério das Relações Exteriores alertar sobre o risco de ingerência nas eleições brasileiras.

Beattie, que atuou como assessor sênior do governo Trump em políticas relacionadas ao Brasil, havia solicitado a visita, que foi inicialmente aprovada. Contudo, Moraes decidiu reavaliar a situação após o Itamaraty apresentar preocupações sobre a natureza do encontro.

Na manhã de quinta-feira (12), Moraes pediu esclarecimentos ao Itamaraty sobre a visita, que foi considerada uma potencial interferência nos assuntos internos do Brasil. Após receber as informações, o ministro decidiu barrar o encontro, ressaltando que a visita não se inseria no contexto diplomático que justificou a concessão do visto de Beattie.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que o pedido de visto de Beattie mencionava apenas sua participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, sem qualquer referência à visita ao 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, onde Bolsonaro está detido.

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“A realização da visita de Darren Beattie, requerida pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro”, afirmou Moraes em sua decisão. O ministro também destacou que a visita não havia sido comunicada previamente às autoridades diplomáticas brasileiras, o que poderia levar à reanálise do visto concedido.

A decisão de Moraes surge em um momento delicado, em que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos está sendo observada com atenção, especialmente após o governo Trump. O alerta do Itamaraty sobre a possível ingerência nas eleições brasileiras reflete a preocupação do governo atual em manter a soberania nacional durante períodos eleitorais.

A defesa de Bolsonaro havia solicitado a visita no dia 10 de março, mas a análise das justificativas apresentadas levou Moraes a negar o pedido. A situação destaca a complexidade das relações diplomáticas e o papel do Judiciário na supervisão de interações que possam ter implicações políticas significativas.

O caso de Beattie e Bolsonaro é um exemplo das tensões que podem surgir entre a política interna e as relações internacionais, especialmente em um cenário onde a influência externa é frequentemente debatida. O governo brasileiro continua vigilante em relação a qualquer ação que possa ser interpretada como uma tentativa de interferência nas questões internas do país.

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