Moraes determina prisão de 15 e afasta policiais por vínculos com o Comando Vermelho
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou a prisão de 15 investigados e o afastamento de policiais no Rio de Janeiro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão preventiva de 15 pessoas e o afastamento de policiais suspeitos de envolvimento com o Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do Rio de Janeiro. As medidas foram anunciadas em 6 de março de 2026 e visam desmantelar uma rede de conluio entre agentes públicos e organizações criminosas.
Entre os investigados, 12 são integrantes das forças de segurança pública, incluindo sete policiais militares, três policiais civis, um delegado da Polícia Federal e um policial penal. Além destes, dois advogados e um intermediário civil também estão entre os alvos da operação.
A investigação da Polícia Federal revela que os policiais civis teriam exigido R$ 1,5 milhão do traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, para encerrar uma apuração que tramitava na 44ª Delegacia de Polícia. Essa prática de extorsão é uma das várias irregularidades que estão sendo apuradas.
Os documentos do inquérito indicam a existência de uma colaboração entre facções criminosas e agentes do Estado, com o objetivo de favorecer interesses de grupos criminosos e obstruir investigações policiais. A apuração inclui crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, além de extorsão, contrabando e tráfico internacional de armas e drogas.
Segundo a investigação, um grupo de policiais militares atuava na segurança pessoal do traficante “Índio do Lixão”, oferecendo apoio logístico e escoltas armadas durante seus deslocamentos. Essa relação entre os policiais e o crime organizado levanta sérias preocupações sobre a integridade das instituições de segurança pública.
Em sua decisão, Moraes destacou que “os elementos de prova apresentados pela Polícia Federal indicam não apenas a gravidade das condutas, mas também o risco à ordem pública, uma vez que a liberdade dos investigados permite a continuidade do fluxo financeiro ilícito”.
Além da prisão dos investigados, o ministro determinou o afastamento cautelar dos policiais de suas funções enquanto durar a investigação. A decisão também inclui o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 36,3 milhões relacionados aos investigados e empresas associadas.
A Polícia Federal recebeu autorização para realizar buscas nas residências dos investigados, com o objetivo de apreender armas, celulares, computadores e documentos que possam auxiliar nas investigações. O acesso aos dados telefônicos e telemáticos dos suspeitos também foi autorizado, abrangendo os últimos seis meses.
O caso destaca a necessidade de um rigoroso combate à corrupção e ao crime organizado no Brasil, evidenciando como a infiltração de facções criminosas nas instituições pode comprometer a segurança pública e a confiança da população nas autoridades.
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