Projeção do IPCA para 2026 sobe para 4,10% devido à pressão dos preços internacionais.
16 de Março de 2026 às 17h04

Mercado financeiro eleva projeção de inflação e Selic em meio à alta do petróleo

Projeção do IPCA para 2026 sobe para 4,10% devido à pressão dos preços internacionais.

O mercado financeiro aumentou suas expectativas para a inflação, conforme revelado no último Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central do Brasil. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu de 3,91% para 4,10% para o ano de 2026, refletindo preocupações com a pressão inflacionária decorrente da alta dos preços do petróleo.

A escalada nos preços do petróleo é atribuída, em parte, ao conflito no Oriente Médio, que já resultou em um aumento superior a 53% no valor do barril no mercado internacional. O economista André Galhardo, da Análise Econômica, observou que o preço do barril do Brent, referência para a Petrobras, teve um aumento significativo nas últimas semanas, impactando diretamente a inflação no Brasil.

Na última segunda-feira, o petróleo chegou a ser cotado a US$ 106, mas, por volta das 8h, estava sendo negociado a US$ 103,11, mantendo-se estável em relação ao dia anterior. Essa valorização da commodity, somada ao bloqueio do Estreito de Ormuz, já começa a gerar pressões inflacionárias no país, o que reforça a necessidade de medidas que aumentem a oferta de diesel e reduzam os preços nos postos de combustíveis.

O governo também anunciou a isenção do PIS e da Cofins sobre o diesel, uma decisão que, segundo o economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, poderá resultar em uma redução de 0,08 ponto percentual no IPCA de 2026. A projeção de Romão para a inflação deste ano foi ajustada de 4,17% para 4,09%.

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Além disso, o Boletim Focus trouxe atualizações sobre a expectativa para a taxa de câmbio. A mediana para o dólar em 2026 foi revisada de R$ 5,41 para R$ 5,40. Para os anos seguintes, as previsões foram mantidas em R$ 5,47 para 2027, R$ 5,50 para 2028 e R$ 5,51 para 2029.

Em relação à taxa Selic, os analistas elevaram a projeção de 12,13% para 12,25% ao ano, retornando ao patamar das últimas quatro semanas. As expectativas para os anos seguintes permanecem estáveis, com a taxa projetada em 10,50% para 2027, 10% para 2028 e 9,50% para 2029.

O aumento nas expectativas de inflação e na Selic ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado, com a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 subindo levemente de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a expectativa de crescimento permanece em 1,80%, enquanto para 2028 a previsão é de 2%.

Essas estimativas são corroboradas por outras instituições, como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projeta um crescimento de 1,6% para 2026, e o governo federal, que trabalha com uma expectativa de expansão de 2,3%.

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