Ouro despenca abaixo de US$ 4,9 mil com guerra e expectativa do Fed
Contratos futuros de ouro fecham em queda de 2,24%, a US$ 4.896,2 por onça-troy, antes da decisão do Federal Reserve.
Os contratos futuros do ouro sofreram uma queda acentuada nesta quarta-feira (18), encerrando abaixo do patamar de US$ 4,9 mil por onça-troy. Este resultado se deu após um período em que o metal precioso se manteve acima de US$ 5 mil, especialmente desde o início da guerra contra o Irã. A pressão sobre os preços foi intensificada pela divulgação de um índice de preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, que superou as expectativas, além da expectativa de uma pausa prolongada na política monetária do Federal Reserve (Fed), que se reunirá ainda hoje para discutir suas diretrizes.
Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega prevista para abril encerraram o dia com uma queda de 2,24%, cotados a US$ 4.896,2 por onça-troy.
O PPI registrou um aumento de 0,7% em fevereiro em comparação a janeiro, superando a expectativa de alta de 0,3%. Em termos anuais, o índice avançou 3,4%, o maior aumento registrado nos últimos 12 meses. Além disso, a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a valorização do dólar no exterior também contribuíram para a desvalorização do ouro.
Ole Hansen, estrategista-chefe de commodities do Saxo Bank, destacou que o posicionamento dos investidores e fatores técnicos desempenharam um papel crucial na queda do metal. “A recente quebra abaixo de níveis técnicos importantes provocou vendas impulsionadas pelo momento, enquanto um clima de aversão ao risco levou os investidores a reduzirem suas posições lucrativas para aumentar a liquidez”, afirmou.
Hansen também comentou que “a incapacidade do ouro de avançar, mesmo diante da tensão geopolítica, reflete um domínio temporário de fatores macroeconômicos e técnicos que contrabalançam seu apelo tradicional como porto seguro, como rendimentos reais mais altos e um dólar fortalecido”.
Além disso, o contrato mais líquido de ouro, que fechou em queda de mais de 2% nesta quarta-feira, foi impactado por uma reversão das tendências que haviam elevado os preços no início do ano. Analistas apontam que as expectativas em relação à independência do Fed e a possibilidade de cortes de juros pelo banco central americano também influenciam o mercado.
A continuidade do conflito no Oriente Médio está interligada a essas mudanças, afetando o mercado com uma diminuição na demanda por ouro, especialmente de países do Golfo. A expectativa pela decisão do Fed, que deve manter as taxas de juros, também pesa sobre os investidores.
Na mesma Comex, o ouro para abril fechou a US$ 4.896,2, enquanto a prata para maio registrou uma queda de 2,79%, cotada a US$ 77,59 por onça-troy.
TD Securities. A empresa reiterou sua cautela em relação ao mercado, que pode interpretar equivocadamente a queda nas posições em aberto da CME como um sinal de posicionamento insuficiente, quando, na verdade, essa situação é explicada pela desalavancagem de fundos quantitativos. A aposta na desvalorização do dólar atraiu uma participação institucional significativa, mas a incerteza sobre a velocidade dessa desvalorização persiste.
“Observamos a oferta monetária crescendo a uma taxa que se alinha mais com o crescimento do PIB do que em qualquer outro momento da história, enquanto o Fed permanece em pausa”, acrescentou a TD Securities.
Preocupações sobre a independência do Fed foram atenuadas por obstáculos recentes ao processo de confirmação do presidente do Fed e por decisões da Suprema Corte relacionadas ao caso de Lisa Cook, que também impactam o cenário econômico.
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