CPMI do INSS busca depoimento de Martha Graeff e avalia condução coercitiva
A comissão investiga fraudes no INSS e considera medidas para garantir o comparecimento da influenciadora.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) está em sua reta final e busca ouvir a influenciadora digital Martha Graeff, ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro. A CPMI, que tem como foco esclarecer irregularidades que causaram prejuízos a beneficiários, planejava ouvir Graeff nesta segunda-feira, 23, mas não conseguiu localizá-la.
Martha Graeff, que vive em Miami, nos Estados Unidos, é considerada uma testemunha-chave devido à sua proximidade com Vorcaro, que é alvo de investigações por supostas fraudes financeiras. O deputado Kim Kataguiri (União-SP), autor do requerimento para a convocação de Graeff, a descreveu como uma “pessoa de extrema confiança” do banqueiro, ressaltando que ela pode ter informações relevantes sobre as relações de Vorcaro com autoridades do Poder Judiciário e do sistema financeiro.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que, sem a presença de Graeff, a comissão pode considerar a adoção de medidas coercitivas para garantir seu comparecimento. “Precisamos de respostas claras sobre as relações e articulações que ocorreram”, disse Viana, enfatizando a importância do depoimento da influenciadora.
“A gente vai ter oportunidade de questionar sobre as ligações que Vorcaro tinha com autoridades importantes da República, e queremos saber mais sobre isso”, afirmou Kataguiri.
Além de Graeff, a CPMI também ouviu o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, que prestou depoimento sobre a segurança dos dados e as falhas que permitiram a ocorrência das fraudes. A comissão investiga como brechas no sistema “Meu INSS” facilitaram o acesso a benefícios sem autorização dos beneficiários.
Em meio a essa situação, a CPMI aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um pedido de prorrogação de seus trabalhos, que estão previstos para terminar em 28 de março. Caso a prorrogação não seja autorizada, o relatório final deve ser apresentado e votado ainda nesta semana.
As investigações em torno de Vorcaro e Graeff estão ligadas à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura tentativas de ocultação de patrimônio e transferências de bens a terceiros para dificultar o rastreamento. A CPMI busca esclarecer a extensão dessas relações e os possíveis impactos nas finanças públicas.
Com a ausência de Graeff, a CPMI enfrenta um desafio em sua missão de esclarecer os fatos. A influenciadora, que tem 40 anos e é natural do Rio Grande do Sul, ganhou notoriedade nas redes sociais e atua nos setores de bem-estar e moda em Miami. Caso não compareça sem justificativa, ela poderá enfrentar medidas legais, incluindo condução coercitiva.
A CPMI do INSS foi criada para investigar denúncias de fraudes na concessão de benefícios e na gestão de recursos do instituto. Desde sua instalação, o colegiado tem convocado empresários, ex-dirigentes e representantes do governo para mapear eventuais esquemas que prejudicaram os cofres públicos.
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