A gigante chinesa de tecnologia enfrenta aumento nos custos de memória e concorrência acirrada, mas supera expectativas de lucro.
24 de Março de 2026 às 14h16

Xiaomi registra primeira queda no lucro trimestral em três anos devido a custos elevados

A gigante chinesa de tecnologia enfrenta aumento nos custos de memória e concorrência acirrada, mas supera expectativas de lucro.

O lucro trimestral da Xiaomi, uma das principais fabricantes de smartphones e veículos elétricos da China, caiu pela primeira vez em três anos, refletindo os desafios impostos pelo aumento dos custos e pela crescente concorrência no mercado. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um lucro líquido ajustado de 6,3 bilhões de iuanes (aproximadamente US$ 914,5 milhões), marcando a primeira retração desde o final de 2022.

Embora o resultado tenha sido inferior ao do ano anterior, ele superou as estimativas de analistas, que projetavam um lucro de 5,7 bilhões de iuanes. A receita da Xiaomi para o mesmo período alcançou 116,9 bilhões de iuanes, ligeiramente acima da expectativa média de 116,2 bilhões de iuanes, apesar da pressão dos custos de memória.

Lu Weibing, presidente da Xiaomi, destacou em uma teleconferência que o aumento nos custos de memória foi mais significativo do que o inicialmente previsto. Ele alertou que, se a empresa não conseguir absorver essa pressão, os aumentos de preços podem se tornar inevitáveis. “Algumas empresas podem ter dificuldades extremas para operar em um ciclo tão longo de aumento de custos, enfrentar grandes perdas ou até mesmo ir à falência”, afirmou.

A situação não é exclusiva da Xiaomi, já que outras fabricantes de smartphones também estão ajustando seus preços em resposta ao aumento dos custos de chips de memória, impulsionados pela demanda crescente de centros de dados de inteligência artificial. O mercado de smartphones na China registrou uma queda de 4% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, com subsídios governamentais mostrando pouco efeito sobre a demanda.

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Apesar da queda trimestral, os resultados anuais da Xiaomi foram robustos, com um lucro acumulado de 39,2 bilhões de iuanes, um aumento de 43,8% em relação ao ano anterior, sustentado por um crescimento de 25% na receita. O desempenho foi impulsionado em parte pelo segmento de veículos elétricos, que gerou 106,1 bilhões de iuanes em receita e registrou seu primeiro lucro operacional anual de 900 milhões de iuanes.

O CEO da empresa, Lei Jun, anunciou que a Xiaomi planeja investir pelo menos 60 bilhões de iuanes em inteligência artificial nos próximos três anos, o que pode ajudar a impulsionar a inovação e a competitividade da empresa no futuro.

Além disso, a Xiaomi superou sua meta de entrega de veículos elétricos em 2025, com mais de 258.000 unidades do modelo SU7 comercializadas. No quarto trimestre, a empresa entregou 145.115 veículos elétricos, representando um aumento de 33,4% em relação ao trimestre anterior.

No setor de smartphones, a Xiaomi embarcou 165,2 milhões de unidades em 2025, embora tenha ficado abaixo da meta de 180 milhões de unidades. A empresa continua a enfrentar um ambiente desafiador, mas suas iniciativas em inteligência artificial e veículos elétricos podem oferecer novas oportunidades de crescimento.

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