O Banco Central aponta que os juros do rotativo subiram de 424,5% em janeiro para 435,9% em fevereiro, impactando o consumidor.
31 de Março de 2026 às 11h16

Taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito atinge 435,9% ao ano em fevereiro

O Banco Central aponta que os juros do rotativo subiram de 424,5% em janeiro para 435,9% em fevereiro, impactando o consumidor.

A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito no Brasil subiu para 435,9% ao ano em fevereiro, conforme divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). Este aumento representa um crescimento de 11,4 pontos percentuais em relação a janeiro, quando a taxa era de 424,5%. Este índice é o terceiro maior registrado para o mês de fevereiro desde 2017, quando a taxa alcançou 487,8%.

Na prática, essa elevação nos juros significa que uma dívida não quitada na data de vencimento pode multiplicar-se significativamente ao longo do ano. Por exemplo, quem tinha uma dívida de R$ 800 em fevereiro do ano passado precisaria desembolsar R$ 4.287,2 para quitar essa dívida atualmente, considerando juros e encargos.

Embora os números alarmantes chamem a atenção, uma nova legislação aprovada pelo Congresso e sancionada pelo Conselho Monetário Nacional em dezembro de 2023 estabelece que os juros do rotativo não podem ultrapassar 100% ao ano para dívidas contraídas a partir de janeiro de 2024. Isso significa que uma dívida de R$ 200 não poderá exceder R$ 400 após um ano de atraso.

O Banco Central esclarece que os valores apresentados nas estatísticas não refletem um descumprimento da lei, mas sim uma extrapolação anual das taxas cobradas por períodos curtos, que servem para acompanhamento histórico e comparação com outras modalidades de crédito.

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Além do rotativo, outras linhas de crédito também apresentaram aumento nas taxas. O cheque especial, por exemplo, subiu para 147% ao ano, o que representa um aumento de 9,6 pontos percentuais em relação a janeiro. Assim, uma dívida de R$ 800 nesse caso saltaria para R$ 1.976 em um ano sem pagamento.

Por outro lado, o crédito consignado, que é descontado diretamente da folha de pagamento, continua sendo a opção mais acessível, com uma taxa média de 28,2% ao ano. Entre os beneficiários do INSS, a taxa é ainda menor, de 24,2% ao ano, enquanto servidores públicos e trabalhadores do setor privado pagam 23,8% e 59,4% ao ano, respectivamente.

O levantamento do Banco Central revela que, apesar da limitação dos juros do rotativo, os índices históricos ajudam a monitorar a dinâmica de aumento ou queda das taxas e seu impacto real no bolso do consumidor. A situação atual é um reflexo da alta taxa de juros básica, que permanece em 14,75% ao ano, e da crescente inadimplência, que atingiu 63,5% no período.

Com o aumento das taxas, o comprometimento da renda das famílias para o pagamento de dívidas alcançou 29,33% em janeiro, o maior nível desde o início da série histórica, em 2005. O endividamento das famílias se manteve em 49,7% no mesmo mês, com um crescimento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Esses dados ressaltam a importância de uma gestão financeira cuidadosa por parte dos consumidores, que enfrentam um cenário desafiador com as altas taxas de juros e a pressão sobre suas rendas.

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