Relatório entregue ao STF revela que despesas com pagamentos extras superam R$ 17 bilhões por ano, com propostas de limites.
24 de Março de 2026 às 17h22

Gastos com 'penduricalhos' no MP e Judiciário alcançam R$ 17 bilhões anuais

Relatório entregue ao STF revela que despesas com pagamentos extras superam R$ 17 bilhões por ano, com propostas de limites.

BRASÍLIA - Um relatório apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por uma comissão técnica composta por representantes dos Três Poderes aponta que os gastos com "penduricalhos" pagos a magistrados e membros do Ministério Público (MP) somam R$ 17 bilhões anualmente. O documento foi entregue na terça-feira e servirá de base para o julgamento sobre o teto remuneratório que ocorrerá nesta quarta-feira, 25.

A comissão estima que o valor gasto com parcelas que ultrapassam o teto do funcionalismo público na magistratura é de R$ 9,8 bilhões, enquanto que no MP, esse total chega a R$ 7,2 bilhões. O teto é equivalente ao salário de um ministro do STF, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

Os cálculos indicam que 82% dos magistrados recebem valores que excedem o teto estabelecido, o que significa que, em média, os juízes recebem 82% a mais do que o limite constitucional.

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Uma das propostas contidas no relatório sugere a criação de um limite global para os "penduricalhos", funcionando como um segundo teto. Essa medida permitiria o pagamento de verbas indenizatórias até um determinado limite, evitando gastos excessivos.

Embora o relatório não especifique um limite exato, ele apresenta cenários que variam entre 30% e 70% do teto atual. Caso seja adotado um limite de até 30%, a comissão estima que haveria uma economia de R$ 825 milhões. Por outro lado, um limite de 70% resultaria em um gasto adicional de R$ 180 milhões.

O julgamento que ocorrerá nesta quarta-feira tem como objetivo discutir a aplicação do teto remuneratório no serviço público e as exceções atualmente permitidas. As informações contidas no relatório visam oferecer uma visão abrangente sobre o impacto financeiro das diferentes interpretações sobre o tema.

Os ministros do STF terão a responsabilidade de decidir se adotam as faixas sugeridas ou se estabelecem um novo critério para os "penduricalhos" de magistrados e membros do MP. A definição de um modelo de transição e de um limite global para pagamentos extras poderá uniformizar a aplicação do teto em todo o país.

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