EUA ameaçam retomar combate ao Irã se acordo de paz não for aceito
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirma que forças estão prontas para ação militar.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que as Forças Armadas americanas estão “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo” de paz. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada no Pentágono.
Hegseth, que ocupa um cargo de destaque na administração do presidente Donald Trump, provocou o governo iraniano, afirmando que, embora o país alegue ter controle sobre o Estreito de Ormuz, sua Marinha foi “completamente destruída” durante os ataques realizados pelos EUA e Israel.
O secretário de Defesa também anunciou que o bloqueio militar no estreito, que começou na segunda-feira (13), será mantido “pelo tempo que for necessário”. Ele enfatizou a disposição das forças americanas em reiniciar operações de combate caso o Irã tome “uma escolha ruim” e não aceite um acordo.
“Vocês, Irã, podem escolher um futuro próspero e esperamos que o façam pelo povo iraniano. Mas se o Irã fizer escolhas ruins, bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético”, ameaçou Hegseth.
O general Dan Caine, comandante das forças, corroborou as declarações de Hegseth, afirmando que os EUA perseguirão qualquer embarcação que tente fornecer apoio ao Irã, com fiscalização ocorrendo tanto em águas territoriais iranianas quanto em águas internacionais.
A escalada de tensões entre os EUA e o Irã se intensificou a poucos dias do fim do prazo para um cessar-fogo, em meio a negociações de paz que se mostraram complicadas. Desde o fracasso das conversas no último sábado (11) em Islamabad, no Paquistão, ambos os países têm trocado ameaças.
Na quarta-feira (15), o governo Trump ordenou o envio de mais de 10 mil militares para o Oriente Médio, conforme reportado pelo jornal “The Washington Post”. Essa manobra é vista como uma forma de pressionar Teerã antes de uma possível segunda rodada de negociações, que foi indicada pela Casa Branca.
As tropas que estão se deslocando para a região incluem cerca de 6.000 soldados a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush e vários navios de guerra que o escoltam. Além disso, cerca de 4.200 outros militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer e sua força-tarefa embarcada devem chegar perto do final do mês.
Enquanto isso, os EUA discutem a possibilidade de realizar uma nova rodada de negociações com o Irã no Paquistão e se mostram otimistas quanto à possibilidade de alcançar um acordo. A porta-voz do Executivo americano, Karoline Leavitt, afirmou que as conversas estão em andamento e que as perspectivas são positivas.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que, desde o início do bloqueio, 10 navios iranianos foram impedidos de atravessar o estreito. Na quarta-feira, a Centcom divulgou um áudio em que militares americanos ordenam que navios “dêem meia-volta” e se preparem para serem “abordados”.
Em resposta, o Irã ameaçou bloquear o Mar Vermelho caso o bloqueio dos EUA contra embarcações iranianas persista. O Comando Militar conjunto do Irã afirmou que suas Forças Armadas agirão para impedir a importação e exportação no Golfo Pérsico e no Mar de Omã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu uma delegação paquistanesa, dias após as conversas fracassadas entre os EUA e o Irã no Paquistão. O ministério iraniano também confirmou que mantém contatos com os Estados Unidos por meio do Paquistão desde o retorno de sua delegação que participou das negociações.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que o país não abrirá mão do seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, embora a porcentagem de enriquecimento seja “negociável”.
Veja também: