Ação alega que Davi Alcolumbre antecipou resultado da votação e comprometeu a deliberação do Senado.
06 de Maio de 2026 às 07h35

Luiz Fux assume relatoria de ação que contesta rejeição de Messias no Senado

Ação alega que Davi Alcolumbre antecipou resultado da votação e comprometeu a deliberação do Senado.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado nesta terça-feira (5) como relator da ação que questiona a validade da rejeição de Jorge Messias, indicado para uma vaga na Corte, pelo Senado Federal. A ação, protocolada pela Associação Civitas para Cidadania e Cultura, argumenta que a antecipação do resultado por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, comprometeu a autenticidade da votação.

Na última quarta-feira (29), Jorge Messias teve sua indicação rejeitada pelo plenário do Senado, tornando-se o primeiro indicado por um presidente da República a não obter os votos necessários para assumir uma vaga no STF em 132 anos. Para a aprovação, eram necessários ao menos 41 votos, mas ele recebeu apenas 34 a favor e 42 contra.

Após o anúncio da rejeição, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota reconhecendo a decisão do Senado e afirmando que a Corte aguardaria a indicação de um novo nome pelo Executivo.

A ação foi judicializada no último sábado (2) e sustenta que a deliberação foi viciada, alegando que a declaração de Alcolumbre, que afirmou que o indicado “iria perder por oito”, antes da proclamação oficial do resultado, violou o sigilo do voto. A entidade argumenta que tal declaração indica uma vontade pré-determinada que compromete a natureza deliberativa do plenário.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

“A liberdade de voto do parlamentar é prerrogativa inerente ao exercício do mandato representativo e pressupõe um processo livre e autêntico. Quando o resultado é antecipado, essa liberdade é frustrada”, diz o texto da ação.

O pedido da Associação Civitas inclui uma liminar para suspender os efeitos da votação e, no mérito, solicita que o STF declare a nulidade da rejeição e determine uma nova deliberação pelo Senado.

A indicação de Messias havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a resistência no plenário se consolidou após meses de articulação política e incerteza sobre os votos. A escolha de Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou tensões entre o Congresso e o governo, especialmente com Alcolumbre defendendo outro nome para a vaga.

Até o momento, não há prazo definido para que o ministro Fux emita uma decisão sobre o caso.

Veja também:

Tópicos: