Diretor da OMS enfatiza que o trabalho não terminou e pede que nações sigam orientações para evitar novos casos.
12 de Maio de 2026 às 11h13

OMS alerta países sobre diretrizes para conter hantavírus após repatriação de cruzeiro

Diretor da OMS enfatiza que o trabalho não terminou e pede que nações sigam orientações para evitar novos casos.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo nesta terça-feira (12) para que os países adotem as diretrizes da entidade a fim de conter a disseminação do hantavírus. A declaração ocorreu após a repatriação de mais de 120 passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, que enfrentou um surto da doença.

Durante uma coletiva de imprensa em Madri, Ghebreyesus afirmou que “o trabalho não terminou” e alertou que, embora não haja indícios de um surto de grande magnitude, a situação pode mudar. Ele destacou que, devido ao longo período de incubação do vírus, é possível que novos casos surjam nas próximas semanas.

A operação de repatriação, que se concluiu na noite de segunda-feira, trouxe de volta pessoas de cerca de 20 países. O cruzeiro, que partiu de Ushuaia, na Argentina, agora navega com uma tripulação reduzida em direção aos Países Baixos.

Até o momento, três dos evacuados testaram positivo para hantavírus: uma francesa, um americano e um espanhol. No total, foram confirmados sete casos da doença, além de um caso provável e três mortes relacionadas.

Em relação aos protocolos de segurança, Ghebreyesus enfatizou que a OMS possui orientações claras que os países devem seguir. Contudo, ele reconheceu que as nações têm “soberania” e não podem ser obrigadas a adotar as diretrizes da OMS.

A recomendação da OMS é que as pessoas evacuadas sejam monitoradas ativamente em centros de quarentena designados ou em suas residências durante 42 dias após a última exposição, que ocorreu em 10 de maio, estendendo-se até 21 de junho.

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O diretor da OMS reiterou que “os vírus não conhecem fronteiras”, ressaltando a importância da cooperação internacional na contenção de surtos.

A França, por sua vez, pediu uma “coordenação mais estreita” dos protocolos de saúde na União Europeia para lidar com a situação.

Entre os 14 espanhóis que estavam a bordo do Hondius e que estão em quarentena em um hospital militar em Madri, um apresentou resultado positivo para hantavírus e apresenta sintomas leves, mas está estável, segundo o Ministério da Saúde.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, elogiou a operação de repatriação, afirmando que o mundo “não precisa de mais egoísmo, nem de mais medo; precisa de países solidários que queiram dar um passo à frente”. Ele também abordou críticas sobre a decisão de acolher o Hondius, defendendo que é fundamental ajudar aqueles que precisam.

A Espanha permitiu que o Hondius ancorasse em Tenerife, apesar das preocupações do governo regional sobre a saúde da população local. O chefe da OMS expressou compreensão pelas preocupações da comunidade, mas assegurou que “o risco é baixo, tanto para a população de Tenerife quanto em escala mundial”.

O cruzeiro, que iniciou sua viagem em 1º de abril, deve chegar aos Países Baixos no próximo fim de semana. A cepa do hantavírus detectada a bordo, conhecida como cepa Andes, é uma variante que pode ser transmitida entre pessoas, o que aumenta a necessidade de vigilância.

O hantavírus é geralmente transmitido por roedores infectados, principalmente através de sua urina, fezes e saliva, o que torna essencial a adoção de medidas de prevenção e controle.

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